Sem euforia de 2009, 600 mil veem posse

Partidários do presidente enfrentam frio em Washington para presenciar cerimônia

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2013 | 02h05

A euforia da posse de Barack Obama em 2009 não foi repetida ontem durante a cerimônia pública que deu início ao seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos. Mas o protocolo foi cumprido com rigor. Cerca de 600 mil pessoas enfrentaram uma temperatura ao redor de zero grau, com os pés no gramado úmido, para ver Obama fazer seu juramento diante do Congresso americano. Alguns deles com especial esforço.

A frase "vim especialmente para esta posse" não soou corriqueira vinda de Herb Soll, juiz federal aposentado e pai de cinco filhos. Soll vive há três décadas nas Ilhas Marianas, um território americano próximo das Filipinas e a 14,5 mil quilômetros de Washington - e morou por dois anos no Rio, na década de 60. Eleitor de Obama nas duas eleições, ele enfrentou o frio mais intenso de janeiro de 2009 para assistir à sua posse e estava ciente do menor entusiasmo, natural na cerimônia de início de um segundo mandato.

Em sintonia com a mensagem de união nacional enviada por Obama em seu discurso, Soll afirmou ao Estado esperar a superação das rivalidades partidárias em favor de ações efetivas. Em especial, no controle da venda de armas de fogo, uma das políticas que o presidente promete levar adiante, ainda ameaçada por resistências nas duas bancadas do Congresso.

"Será um primeiro passo. Levaremos ainda uns 20 anos para mudar a mentalidade de boa parte da população e tomar medidas que realmente possam prevenir massacres como o de Newtown", afirmou, tremendo de frio e referindo-se à morte de 20 crianças e 6 educadores de uma escola primária por um atirador, em dezembro.

Os afro-americanos Joyce Brown e seu filho Cheabyn votaram por Obama nas suas duas eleições para a Casa Branca, mas apenas desta vez puderam assistir à sua posse.

"Eu quero ver o povo americano unido, as pessoas se apoiando e se amando mutuamente, juntando forças para fazer mover a nossa economia e lidar com temas mais problemáticos para o país", explicou Joyce, funcionária da administração do Congresso.

Massa humana. Desde as 6 horas (9 horas, no horário de Brasília), antes do amanhecer, multidões se aglomeravam diante dos portões de segurança para ingressar no Mall, o canteiro central que liga o Congresso ao Memorial ao Presidente Abraham Lincoln.

Grupos de estudantes foram trazidos dos Estados vizinhos e de escolas de Washington para a cerimônia. A massa humana se estendeu pelo Mall até as proximidades do Obelisco.

Diante da entrada principal do Congresso, ex-presidentes Jimmy Carter, Bill Clinton e a ex-primeira-dama e secretária de Estado Hillary Clinton foram anunciados entre os convidados de honra e receberam fortes aplausos. Michelle Obama, suas filhas, Malia e Sasha, e parentes chegaram antes de Obama e de Joe Biden, o vice-presidente americano que também fez juramento.

Os aplausos, mesmo durante o discurso de Obama, foram comedidos. Grupos tentaram levantar um coro massivo gritando "Obama!", mas não foram acompanhados pela multidão.

Com a cerimônia já iniciada, um homem subiu em uma árvore e gritou palavras de ordem contra o aborto.

Foi contido antes de James Taylor cantar America, the Beautiful e de Beyoncé entoar o hino nacional. O manifestante solitário acabou preso logo depois de Obama discursar.

Outros incidentes ocorreram durante a cerimônia. Um grupo de 50 manifestantes anarquistas provocou tumulto e cenas de violência nos arredores da estação de metro de Chinatown, perto do Mall. Alguns quebraram o caixa automático de uma agência do banco DVA Federal Credit Union e a vidraça do M&T Bank, segundo o porta-voz da polícia de Washington, Araz Alali. Houve também protestos contra o uso de drones.

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