Sem feriado, muitos foram às urnas antes e depois do trabalho

Dia mais importante da história recente da Escócia, a quinta-feira do referendo sobre a independência foi de trabalho para escoceses comuns, além de muita boca de urna e marcação cerrada aos eleitores por militantes das campanhas pró e contra independência até o fechamento das seções eleitorais, no fim da noite de ontem.

EDIMBURGO, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2014 | 02h00

Não era feriado em Edimburgo nem no interior do país. Por isso, escolas e prédios públicos que recebiam as urnas em 5,5 mil locais abriram cedo, às 7 horas, para garantir a maior afluência possível de eleitores, permanecendo abertas até as 22 horas. No início da manhã, houve filas de eleitores em algumas seções da capital, como nos bairros de Cannonmills, Heriot Hill e Bellvue, onde o Estado acompanhou o fluxo de eleitores.

Nas portas das seções, militantes identificados com adesivos e cartazes das campanhas Yes Scotland, pelo "sim" à independência, e Better Together, pelo "não", disputavam espaço. Em parte, a mobilização de eleitores e ativistas foi estimulada pelas pesquisas de opinião divulgadas na noite de quarta-feira, que mostravam ligeira vantagem do movimento contra a independência - mas em empate técnico.

"Encontrei meu melhor amigo ontem e ele me disse que se converteu ao 'sim'. É uma pessoa ilustrada. Se até ele decidiu pela independência, creio que estamos derrotados", disse Caroline Blackwood, professora em Edimburgo e partidária do "não". "Vim votar porque temos todos de comparecer. Vai ser muito, muito apertado para qualquer um dos dois lados. E eu acredito que o melhor é a união." Nas imediações, David Campbell, motorista que ostentava no peito adesivos com a palavra Yes, retrucou: "Eu votei no 'sim'. Segui um conselho de Nelson Mandela: 'Que a minha escolha reflita minhas esperanças e não meus medos'".

Com o início do horário de trabalho, as filas nos centros de votação caíram. Nos comitês eleitorais, porém, a mobilização não caiu. Militantes chegavam e saíam carregados de material de propaganda, com cartazes, folders, camisetas e balões. Outros não saiam dos telefones, ligando para eleitores para estimulá-los a votar. "Não podemos parar um segundo, ainda estamos trabalhando pela vitória", disse um dos estrategistas da campanha do "sim" na Saint Andrews Square, uma das regiões mais ricas de Edimburgo.

Com o cair da noite, o movimento nas zonas eleitorais voltou a crescer e filas se formaram, para surpresa até de políticos, que se mostravam impressionados via Twitter. Em pubs, jovens se concentravam em torno de TVs, discutindo o plebiscito e à espera dos primeiros resultados. / A.N.

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