REUTERS/Jorge Adorno
REUTERS/Jorge Adorno

Sem Fidel, cubanos temem chegada de Trump à presidência dos EUA

População teme o fim das recentes medidas de aproximação tomadas por Obama e Raúl Castro

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2016 | 11h11

HAVANA - Da invasão da  Baía dos Porcos à visita do presidente Barack Obama a Havana, os cubanos se acostumaram por décadas a, quando os Estados Unidos prestavam atenção em Cuba, ter Fidel Castro olhando de volta. Com a morte do "Comandante", crescem as preocupações de que o presidente eleito Donald Trump abandonará as recentes medidas de aproximação tomadas por Obama e Raúl Castro, que aliviaram restrições a viagens e o comércio. 

Trump tem adotado uma posição distinta da de Obama em relação a Cuba. No final da campanha, ele prometeu a descendentes de cubanos na Flórida que ele era firme na sua oposição ao castrismo e, se eleito, fecharia a embaixada em Havana. Nas primárias, ele dissera que concordava com as medidas, mas que Obama poderia ter conseguido um acordo melhor. 

Agora, com o republicano eleito, será difícil antecipar qual caminho ele escolherá. Nas mensagens sobre a morte de Fidel, enquanto Obama o descreveu como "uma figura singular", Trump o chamou de "ditador brutal". 

Os cubanos agora lamentam que sem o carisma e a retórica de Fidel será difícil defender a ilha das posições de Trump. "Sem o comandante, tenho um pouco de medo do que pode acontecer por causa do jeito de agir e pensar de Trump", disse Yaneisi Lara, uma vendedora de rua de Havana. "Ele pode bloquear tudo que está acontecendo, tudo que Obama fez - e ele fez muito ao aproximar Estados Unidos e Cuba."

Obama não conseguiu convencer o Congresso americano a levantar o embargo econômico em vigor desde os anos 60, mas conseguiu usar ordens executivas para permitir mais contato e comércio. O primeiro voo comercial entre Havana e os Estados Unidos deve chegar à ilha amanhã. 

"Trump é totalmente o oposto de Obama", disse o taxista Pablo Fernández. "Teremos menos turismo. Isso vai afetar todo mundo em Cuba."/ REUTERS

 

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