EFE/ Rayner Pe
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Sem Guaidó, parte da oposição aceita negociar com Maduro na Venezuela

O episódio marca a primeira grande divisão entre os grupos contrários a Maduro desde que o líder opositor Guaidó se declarou em janeiro presidente interino do país

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 21h51

CARACAS - Um grupo de partidos oposicionistas minoritários concordou em iniciar negociações com o governo do presidente Nicolás Maduro, em princípio deixando à margem as organizações partidárias que apoiam o líder opositor Juan Guaidó, reconhecido por cerca de 50 países, entre eles os Estados Unidos, como líder legítimo da nação sul-americana. 

Como parte do acordo, o governo disse que seus parlamentares retornarão para a Assembleia Nacional pela primeira vez desde 2017, quando Maduro declarou o Parlamento ilegítimo e criou um legislativo paralelo chamado Assembleia Constituinte, que continuará operando.

O acordo foi assinado nesta segunda-feira, 16, por representantes de várias forças minoritárias, algumas fundadas por ex-membros da aliança governista, junto com os principais assessores de Maduro em um evento que teve a presença de diplomatas estrangeiros.

O episódio marca a primeira grande divisão entre os grupos contrários a Maduro desde que Guaidó se declarou em janeiro presidente interino do país, argumentando que o presidente socialista foi reeleito em maio de 2018 em eleições fraudulentas.

Poucos minutos depois, Guaidó avaliou como uma "manobra" do governo o anúncio realizado pelos partidos minoritários de participar do diálogo paralelo. Ele lembrou que no passado o governo de Maduro tentou diálogo com outros opositores, sem nenhuma solução.

Entre os que participarão do diálogo está o partido Avanzada Progresista, do ex-candidato presidencial e ex-dirigente governista Henry Falcón, que participou da eleição de 2018 e declarou fraude na disputa vencida por Maduro. 

O Movimento ao Socialismo (MAS), que formou parte do governo durante anos, também aceitou dialogar, junto com o Movimento REDES, do ex-prefeito de Caracas e ex-dirigente governista Juan Barreto, e o Movimiento Soluciones, fundado por Claudio Fermín, ex-militante do partido oposicionista Acción Democrática, conhecido por suas posturas de conciliação.

Parlamento foi substituído por Assembleia Constituinte

Na prática, o Parlamento foi substituído pela Assembleia Constituinte, eleita em 2017 apenas com candidatos ligados ao governo e considerada ilegal pela oposição. 

Presidido por Guaidó, o Parlamento era integrado originalmente por 112 deputados opositores e 55 governistas, mas desde então vários legisladores foram presos, se exilaram ou passaram à clandestinidade.

No domingo, Guaidó anunciou que o mecanismo de diálogo com o governo Maduro, mediado pela Noruega, "se esgotou" diante da negativa da delegação do chavismo de voltar à mesa de negociações.

"Maduro abandonou o processo de negociação com desculpas falaciosas: após mais de 40 dias em que se negaram a continuar no mesmo, confirmamos que o mecanismo de Barbados se esgotou", disse a equipe de Guaidó. 

As conversas em busca de saídas para a grave crise política e econômica venezuelana, que começaram na Noruega e se transferiram posteriormente para Barbados, estavam congeladas desde 7 de agosto por decisão do governo. / AP, AFP e REUTERS

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