Christopher Millette/Erie Times-News via AP
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Sem imigrantes, EUA perderiam quase 18 milhões de trabalhadores até 2035

Segundo pesquisa do Instituto Pew, a mão de obra de estrangeiros é necessária para manter o ritmo de crescimento em razão da previsão de envelhecimento demográfico

O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 18h36

WASHINGTON - Os imigrantes serão os impulsores do crescimento na força de trabalho nos Estados Unidos nas próximas décadas e, sem sua presença, o país perderia 17,6 milhões de pessoas em idade de trabalhar até 2035, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira pelo instituto de pesquisas Pew.

Mantendo-se o ritmo de chegada atual de imigrantes, a força de trabalho (população com idade entre 25 e 64 anos), passaria dos 173 milhões atuais a 183,2 milhões em 2035. Sem o componente de imigrantes, o número seria de 165,6 milhões, afirmou o relatório do Pew, que analisa a evolução e a influência da imigração na força de trabalho.

"O maior componente dos adultos em idade de trabalhar - aqueles nascidos nos EUA cujos pais também nasceram nos EUA - tem projeção de queda entre 2015 e 2035, tanto em números absolutos como em porcentagem do total", ressaltou o instituto. Objetivamente, cairiam de 128,3 milhões para 120,1 milhões em 2035, e deixariam de representar 74% do total para serem 66% em 2035.

Por sua vez, os americanos nascidos de pais imigrantes passarão de 6% a 13% no mesmo período, e os imigrantes chegados aos EUA passarão de 20% em 2015 a 21% em 2035.

"À medida que a geração dos 'baby boomers' (nascidos entre 1946 e 1964) se encaminha à aposentadoria, a alta na força de trabalho potencial se reduzirá de maneira marcante, e os imigrantes ocuparão este papel primordial no futuro de seu crescimento", diz o relatório.

A taxa de crescimento da força de trabalho será de 0,3% anual nas próximas duas décadas, menos da metade do 0,8% anual de média nas décadas anteriores a 1964.

O Pew, que analisa os dados do Censo, estima que o número de imigrantes com idade para trabalhar suba de 33,9 milhões a 38,5 milhões nos próximos 20 anos.

Esse número assume a taxa atual em que dois terços dos imigrantes que chegam aos EUA estão na categoria de idade de entre 25 e 64 anos.

A questão migratória transformou-se em um dos principais elementos da agenda do presidente Donald Trump, que prometeu conter o fluxo migratório para impulsionar os empregos domésticos dentro de seu lema "Comprem produtos americanos, contratem americanos".

Vários analistas afirmaram que a economia dos EUA precisa da chegada de imigrantes para manter seu ritmo de crescimento, especialmente em um momento de baixa produtividade e perante a previsão de envelhecimento demográfico.

A própria presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, defendeu na semana passada os benefícios da imigração.

"A imigração é uma grande fonte de crescimento da força de trabalho". Por isso, "reduzir o ritmo de chegada de imigrantes provavelmente frearia a taxa de crescimento da economia", apontou Yellen em seu comparecimento no Senado.

O relatório do Pew acrescenta que os imigrantes serão o motor de crescimento demográfico até 2065, já que eles e seus filhos representarão 88% deste crescimento, mantendo-se as tendências atuais. / EFE

 

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