Sem incidentes, blogueira cubana deixa Havana

Após 20 tentativas, Yoani Sánchez embarca para o Brasil, onde chegaria nesta madrugada; dissidente é uma das primeiras a beneficiar-se de nova lei

GUILHERME RUSSO , ENVIADO ESPECIAL / RECIFE, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 02h01

Após 20 tentativas fracassadas de deixar Cuba, a blogueira cubana e colunista do "Estado" Yoani Sánchez embarcou ontem de Havana para o Brasil. Seu voo chegaria ao Recife nesta madrugada. Yoani, que passou sem incidentes pelo controle de emigração do aeroporto da capital cubana, é uma das primeiras dissidentes do regime castrista a se beneficiar da nova lei migratória que passou a vigorar neste ano.

O Brasil é a primeira escala de um giro que a opositora cubana pretende empreender por mais de dez nações, na América e na Europa, nos próximos meses. Sua agenda de compromissos começa na Bahia, onde chega ainda hoje. Ela chega a São Paulo na noite da quarta-feira e participa de eventos na sede do Estado no dia seguinte.

"Levo comigo uma mensagem de esperança. Não sou ingênua, me dou conta dos problemas, mas creio no futuro e estou muito esperançosa pelas pessoas", afirmou Yoani a repórteres no Aeroporto Internacional José Martí, pouco antes de embarcar em Havana.

Um dos símbolos da luta pela liberdade de expressão ao redor do mundo, Yoani, de 37 anos, despediu-se do filho adolescente, Teo, e do marido, o também dissidente Reinaldo Escobar, antes de passar pelo controle migratório. "Meu nome não soou nos alto-falantes, não me levaram a um quarto para despir-me ou para 'ler a cartilha'. Tudo está saindo bem. (Foi) muito calorosa a reação dos (demais) passageiros comigo. Há abraços, fotos em conjunto... já sinto o cheiro da liberdade", escreveu Yoani em sua conta no Twitter momentos depois.

No microblog, a ativista mostrou-se ansiosa com as experiências que a aguardavam: "Disseram-me que o aeroporto do Panamá, onde farei escala, tem uma zona wi-fi... não posso acreditar".

"Temo que as detenções arbitrárias continuem como uma ferramenta de repressão. Temo que o grito se mantenha como política de Estado. Temo que neste tempo minha ilha não avance nenhum passo no respeito à diversidade ideológica, que o extremismo político permaneça", prosseguiu.

Em seus últimos tuítes antes de o avião decolar, porém, a blogueira manifestou certo alento: "No entanto, tenho muitas esperanças. Tenho esperanças de que a pequena voz que a cidadania alcançou seja ouvida com mais força, se faça mais firme e clara. Tenho esperanças de que o absurdo não pode durar muito mais."

Recife. Na capital pernambucana, Yoani seria recebida no início da madrugada pelo cineasta Dado Galvão e pelo blogueiro Rafael Velame, organizadores da "vaquinha" que financiou a viagem da cubana para o Nordeste brasileiro. Ainda hoje, às 19 horas, ela participará de uma exibição do documentário Conexão Cuba Honduras, em Feira de Santana, Bahia, no qual é uma das entrevistadas.

Na quinta-feira, às 10 horas, a cubana participa do evento "Conversa com Yoani", no auditório do Grupo Estado. No mesmo dia, encontra-se com blogueiros na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, no fim da tarde, e logo depois lança a nova edição de seu livro De Cuba, com Carinho, publicado pela Editora Contexto, e concede uma sessão de autógrafos.

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