Sem líderes, levante é ''legitimamente popular''

Uma revolução sem líder. Na realidade, com milhares de líderes. Ontem, nas ruas do Cairo, nenhuma organização liderava as marchas, nem reivindicava a autoria dos protestos. Pela primeira vez em anos, islâmicos, sindicalistas de esquerda e a pequena burguesia uniram-se em um ato de desafio ao governo.

, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

"Esse é um movimento legitimamente popular. Por isso é tão poderoso", afirmou Samira, estudante que estava na linha de frente dos protestos. Os que enfrentaram tanques e a repressão eram, em sua grande maioria, jovens, muitos deles com diploma universitário e salários considerados bons para a região. À essa classe média, somaram-se milhares de desempregados das camadas mais pobres do Egito.

Tradicionais organizações de oposição, que por anos foram incapazes de liderar uma revolta, foram obrigadas a se apressar para não ficar de fora do movimento. A Irmandade Muçulmana acelerou suas reuniões para definir de que forma participaria do movimento que havia mostrado que não existem apenas duas opções no Egito: a ditadura de Mubarak ou o islamismo radical.

Mohamed ElBaradei, que chegou na quinta-feira com aura de líder de oposição, foi ofuscado pelo povo. "Não temos nada contra ele. Mas ninguém o conhece. Não estamos lutando para colocá-lo no poder, mas para acabar com um sistema. Quem virá depois, tanto faz", afirmou Mohsen Latiss, de 32 anos. O próprio ElBaradei diz que a revolta é dos jovens e não vai se impor na liderança.

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