Sem metas consistentes, negociações fracassarão, diz De Boer

Secretário de Mudança Climática da ONU disse que países ricos precisam se comprometer até o ano que vem

Alister Doyle e Anna Mudeva, Reuters

09 de dezembro de 2008 | 16h56

Os Estados Unidos e outros países ricos precisam se comprometer até o fim do ano que vem com metas específicas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa até 2020 afim de chegar a um acordo sobre um pacto do clima, disse nesta terça-feira, 9, Yvo de Boer, a principal autoridade da ONU para o clima.   Veja também:  Mundo não espera Europa para acordo climático, diz De Boer UE enfraquece luta contra aquecimento, dizem ambientalistas Estudo diz que mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008 Mudança climática pode elevar número de refugiados, diz ONU Acordo para vítimas do clima pode ser necessário, diz WWF Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018 Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    Acompanhe a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan  Página oficial da conferência  Alguns analistas dizem que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pode não estar preparado para estabelecer formalmente metas para até 2020 dentro de um ano, e que a recessão econômica pode atrasar o prazo para o fim de 2009 dado por 190 países para um novo pacto da Organização das Nações Unidas contra o aquecimento global. "Temos de ter na mesa números dados pelos países industrializados (até o fim de 2009), senão as outras peças do dominó não cairão", afirmou Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, durante uma conferência sobre o aquecimento global que ocorre até dia 12 na Polônia. Países mais pobres como China e Índia não vão se comprometer com mais ações para reduzir suas emissões crescentes, na maior parte pela queima de combustíveis fósseis, sem a liderança dos ricos, disse ele em uma entrevista coletiva durante as conversações entre 11 mil delegados em Poznan. Ele deu uma resposta monossilábica - "Sim" - quando perguntado se consideraria as negociações um fracasso caso não estabelecessem cortes nos gases estufa para 2020 entre os países ricos para substituir as metas de 2012 estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto. Um funcionário da ONU afirmou que as declarações de Boer incluíam os EUA, mesmo que o presidente George W. Bush tenha mantido o país fora do Protocolo de Kyoto. Bush disse que o protocolo era muito caro e excluía os países em desenvolvimento das metas para 2012. Boer, no entanto, fez um alerta contra ambições muito grandes para um novo acordo global que deve ser acertado em Copenhague no ano que vem, dizendo que muitos detalhes do novo plano poderiam ser trabalhados depois. "Devemos ser cautelosos para não ir muito longe e não alcançar nada", disse ele. Em Copenhague, serão essenciais metas para os países ricos, liberação de auxílio para os pobres e instituições.

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