NG Han Guan/AP
NG Han Guan/AP

Sem mísseis intercontinentais, Coreia do Norte celebra 70 anos com desfile militar

Foco das homenagens foi direcionado aos civis; arsenal que causou desconforto com Trump não foi mostrado

O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 02h17

A Coreia do Norte promoveu um enorme desfile militar neste domingo, 9, na capital Pyongyang, para marcar seu 70º aniversário como nação, mas reteve seus mísseis intercontinentais e dedicou quase metade do desfile aos esforços civis para levantar a economia doméstica. A forte ênfase na economia ressalta a nova posição do líder Kim Jong Un, a estratégia de colocar o desenvolvimento econômico em primeiro plano.

Kim participou do desfile pela manhã, mas não se dirigiu à multidão reunida. Estiveram presentes o chefe do parlamento chinês e delegações de alto nível de países que têm laços amistosos com o Norte. O estadista sênior Kim Yong Nam, chefe do parlamento da Coreia do Norte, adotou um tom mais suave para o evento, com um discurso de abertura que enfatizou os objetivos econômicos do regime, e não seu poder nuclear.

Depois de um desfile com tanques, um número menor do que o usual de mísseis de curto alcance e muitas unidades terrestres de todas as patentes militares, ao lado de alguns estudantes e outros grupos, o foco mudou para grupos civis, indo de enfermeiros a trabalhadores da construção civil.

Embora a Coreia do Norte encene desfiles militares quase todos os anos - e realizou um pouco antes de as Olimpíadas de Inverno começarem na Coreia do Sul, em fevereiro deste ano - a passeata deste domingo veio em um momento particularmente sensível.

O esforço de Kim para aliviar as tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estagnou desde sua cúpula de junho em Cingapura. Ambos os lados insistem em diferentes ponto de partida. Washington quer que Kim se comprometa com a desnuclearização primeiro, mas Pyongyang quer sua segurança garantida e um acordo de paz que termine formalmente a Guerra da Coréia.

Com as tensões mais uma vez em ascensão, um desfile mostrando os próprios mísseis que levaram a uma perigosa onda de insultos de ambos os líderes, poderia ser visto como uma provocação deliberada. O Norte exibiu sua última missileria no desfile de fevereiro.

Após o fim das celebrações de domingo, Kim se reunirá novamente em Pyongyang com o presidente sul-coreano Moon Jae-in para discutir maneiras de romper o impasse sobre as armas nucleares.

A nova postura de colocar o desenvolvimento econômico em primeiro lugar foi a principal prioridade de Kim neste ano. Ele afirma ter aperfeiçoado seu arsenal nuclear o suficiente para intimidar a agressão norte-americana e dedicar seus recursos para elevar o padrão de vida no país. As celebrações deste ano também marcam o renascimento dos Jogos de Massa da Coreia do Norte depois de um hiato de cinco anos./AP

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