Leo La Valle/Efe
Leo La Valle/Efe

Sem Papel Prensa, 'Clarín' corta cadernos

Para especialista, guerra de Cristina contra principais jornais tornou-se aberta e pública

O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h06

BUENOS AIRES - Um mês após o Estado argentino tomar o controle acionário da fábrica de papel-jornal Papel Prensa, o diário Clarín decidiu cancelar dois de seus suplementos para economizar o insumo. A decisão, no entanto, já estava sendo discutida antes da aprovação do projeto para adequar as redações impressa e digital.

Os suplementos cancelados são o quinzenal Buena Vida e o Zonales Desportivos. O Countries terá seu tamanho reduzido. O suplemento diário Espetáculos passa a ser publicado como parte do jornal.

O papel-jornal foi declarado insumo de interesse nacional pelo Congresso em dezembro. A vitória tranquila foi possibilitada pela ampla maioria parlamentar conquistada pela presidente Cristina Kirchner nas eleições de outubro, nas quais se reelegeu para um segundo mandato.

"A guerra de Cristina contra os dois principais jornais da Argentina tornou-se aberta e pública", disse ao Estado o copresidente da Comissão de Liberdade de Imprensa, da SIP, Claudio Paolillo. "O Clarín decidiu suspender os suplementos em razão desse cerco."

O governo tem tido uma série de confrontos com o Grupo Clarín, com o qual rompeu em 2007 após a crise entre o Executivo e produtores rurais sobre um tarifaço agrário proposto por Cristina. Entre as disputas estão, além do caso da Papel Prensa, a distribuição de verbas publicitárias federais, que, segundo o diário, favorece jornais partidários de Cristina.

No final do ano, a polícia invadiu a sede da CableVisión, a operadora de TV a cabo do grupo, para cumprir um mandado judicial impetrado por uma empresa rival próxima do governo. Na operação, cerca de 60 agentes apreenderam documentos no prédio e intimidaram funcionários, segundo testemunhas. / L.R.

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