Sem pedido de extradição, repressores argentinos são soltos

O juiz Rodolfo Canicoba Corral mandou soltar nesta segunda-feira os repressores argentinos cujas detenções haviam sido solicitadas semanas atrás pelo juiz espanhol Baltazar Garzón. A intenção de Garzón era a de extraditar os 39 militares e um civil para julgamento na Espanha pelos crimes de terrorismo, tortura, genocídio e seqüestros durante a última ditadura militar (1976-83). No entanto, na sexta-feira, o vice-chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou que não pediria as extradições. Desta forma, sem contar com o pedido de extradição, Canicoba Corral teve que liberar os repressores.O ex-capitão Alfredo Astiz, também foi liberado, apesar da existência de um pedido de extradição do governo da França. Canicoba Corral argumentou que teve que liberar Astiz porque a Chancelaria argentina ainda não havia encaminhado o pedido de extradição à Justiça. No entanto, uma dezena de repressores, como o general Jorge Rafael Videla, o ex-almirante Emílio Massera e o ex-capitão Jorge Acosta, continuarão presos, já que estavam detidos antes do pedido de Garzón, por outros processos na Justiça argentina, envolvendo o seqüestro de crianças durante a ditadura.Os organismos de defesa dos direitos humanos protestaram contra a liberação dos repressores diante dos tribunais. A líder das Avós da Praça de Mayo, Estela de Carlotto, sustentou que era preciso que um juiz ordenasse uma nova detenção dos militares "para evitar que essas pessoas convivam novamente conosco". Poucas horas depois, o pedido de Carlotto estava começando a ser cumprido: no fim da tarde, um promotor pediu uma nova detenção de militares. Neste caso, trata-se de onze oficiais envolvidos no Plano Cóndor, denominação do sistema de troca de prisioneiros políticos existente nos anos 70 entre as ditaduras da Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile. Além disso, a Câmara de Justiça Federal de Buenos Aires ordenou a reabertura dos denominados "mega-processos" relativos às violações aos direitos humanos ocorridos nos dois principais campos de concentração da ditadura: Campo de Mayo e a Escola de Mecânica da Armada (ESMA).

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