Sem pedir deculpas por tortura, Bush tenta acalmar árabes

O presidente dos EUA, George W. Bush, dirigiu-se ao mundo árabe para dizer que as ações dos soldados americanos que humilharam e torturaram prisioneiros no Iraque ?não representam a América? e prometeu que ?justiça será feita?. Bush não chegou a se desculpar. ?Este é um assunto sério, que reflete mal em nosso país?, disse o presidente em entrevista para a Al-Arabiya, uma rede baseada no Dubai. Mas acrescentou: ?Este é um país livre. Não toleramos esse tipo de abuso?. A Al-Arabiya, uma rede popular no mundo árabe, transmitiu a maior parte da entrevista sem edição, em inglês e sem legendas, antes de cortar para um apresentador que fez um resumo, em árabe, da fala do presidente. Responsáveis pela estação disseram que a entrevista foi ao ar às pressas, sem que houvesse tempo de dublá-la, e que uma versão dublada será exibida em breve. Bush também deu entrevista à Al-Hurra, uma TV financiada pelos EUA e vista como manobra de propaganda pelos árabes. A Al-Hurra transmitiu a entrevista com uma narração em árabe fiel às palavras do presidente. Bush disse à Al-Hurra que os soldados acusados de tortura serão julgados. ?Isso é o oposto da vida sob Saddam Hussein?, afirmou. ?Seus torturadores treinados nunca foram julgados. Nunca houve investigações sobre pessoas maltratadas?. ?Não há nada que os americanos façam que mude nossa opinião deles?, disse Mahmoud Abdullah, um funcionário público egípcio. ?A América só persegue seus próprios interesses e só quer nos manter sob sua tutela?.

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