Sem provas, EUA mantêm preso acusado de planejar ataque nuclear

Depois da avalanche de informações na mídia sobre o americano acusado de planejar a detonação de uma bomba radioativa, as coisas hoje parecem não ter sido tão importantes assim. Ao anunciar a acusação, o secretário de Justiça dos EUA, John Ashcroft, realizou, de Moscou, uma conferência via satélite e funcionários em Washington, entre eles o presidente George W. Bush, disseram que o detido era um terrorista de primeira. No entanto, passados dois meses, as autoridades afirmam que José Padilla, o acusado, é provavelmente "um peixe pequeno", sem relação alguma com o grupo terrorista Al-Qaeda. Funcionários da inteligência americana, que pediram anonimato, disseram que o FBI não encontrou evidências de que Padilla tenha iniciado preparativos para um ataque nem que tenha ligações com a Al-Qaeda. Mesmo assim, muitos defendem que Padilla deva permanecer na prisão. Padilla, de 31 anos, encontra-se detido em uma cela militar na Carolina do Sul, acusado de combatente inimigo, um termo legal que permite que o governo o prenda sem apresentar qualquer acusação formal. A advogada do acusado, Donna Newman, argumenta que ele está detido ilegalmente e que deve ser libertado. No início de junho, Ashcroft alardeou via satélite que Padilla tinha sido detido no Aeroporto Internacional O´Hare de Chicago. Os subalternos do secretário, por sua vez, convocaram uma conferência de imprensa em Washington para divulgar a detenção. À época, Ashcroft disse: "Descobrimos um plano terrorista em desenvolvimento para atacar os Estados Unidos mediante a explosão de uma ´bomba suja´ radioativa". Mesmo sem provas concretas contra ele, a sorte de Padilla parece incerta. "O que podemos analisar das declarações do governo é que não há evidências suficientes para julgá-lo", disse Newman.

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