Sem resolução da ONU, Blair enfrentará "rebelião" legislativa

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, enfrentará uma rebelião de cerca de 200 membros do Parlamento pertencentes ao Partido Trabalhista e a renúncia de 10 integrantes de menor escalão de seu governo se der prosseguimento à ação militar contra o Iraque sem o aval da ONU, advertiu neste domingo um de seus colegas de partido, ex-responsável pelo setor de Defesa, Doug Henderson. "Creio que o governo tem graves problemas", disse Henderson à GMTV. Os rebeldes trabalhistas, que há 11 dias conseguiram 122 votos contra Blair na Câmara dos Comuns, dizem que seu número passará de 200, numa bancada de 410, se Blair atacar o Iraque sem uma segunda resolução da ONU que autorize uma ação militar.No sábado, dois assessores ministeriais indicaram sua intenção de renunciar a seu cargo por causa da questão, e os organizadores do protesto disseram que muitos mais estão pensando em fazer o mesmo. Se dez secretários parlamentares renunciarem, quase metade dos departamentos do governo serão atingidos pela rebelião.Apesar da demonstração de confiança por parte de Jack Straw, o secretário das Relações Exteriores, de que uma segunda resolução poderá ser assegurada na ONU, houve sinais de uma profunda divisão no Conselho de Segurança.O presidente Jacques Chirac, da França, convocou uma conferência de cúpula de emergência em busca de solução conciliatória. Colin Powell, secretário de Estado dos EUA, disse não ver necessidade de tal reunião.Os membros do Parlamento querem garantir um debate parlamentar e uma divisão antes da ação militar. Eles avisam que, se o governo não concordar com uma votação, eles invocarão a Diretiva 24 da Câmara dos Comuns, que prevê um debate de emergência, e obrigar Blair a comparecer.O firme apoio de Blair ao presidente George W. Bush lhe valeu o maior desafio a sua liderança. Seu índice de popularidade decresce constantemente, segundo as últimas pesquisas. O voto contrário a Blair, no mês passado, dos 122 legisladores de seu partido, que apoiaram a moção de rebeldia destacando que "não há provas suficientes" para ir à guerra, foi o maior protesto sofrido pelo governo desde que o atual premier chegou ao poder, em 1997. Essa esperada onda de renúncias dos postos de assessores ministeriais foi liderada no sábado por Andy Reed, membro do Parlamento por Loughborough, e secretário parlamentar de Margaret Beckett, a secretária do Meio Ambiente. Ele anunciou que renunciaria hoje.Reed, que é presidente do conselho da Confraria Cristã Parlamentar, disse: "Sei que Tony Blair lutou consigo mesmo e com seu profundo comprometimento religioso antes de chegar à conclusão de que há uma justificativa moral para a guerra, mas simplesmente não consigo enxergar isso."Anne Campbell, membro do Parlamento por Cambridge e secretária parlamentar de Patricia Hewitt, a secretária de Indústria e Comércio, avisou que renunciará se Blair agir sem uma segunda resolução do Conselho de Segurança. Outros secretários parlamentares disseram ao jornal britânico The Sunday Times que estão examinando cuidadosamente sua posição.Blair deve respaldar seus argumentos nos próximos dias cruciais, recorrendo a um novo documento da ONU que explicará detalhadamente por meio de 115 quesitos exatamente o que Saddam precisa fazer para evitar a guerra.

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