Heiko Junge/AFP
Heiko Junge/AFP

Sem suspeitar, capitão de balsa ajudou Breivik a ocultar arma

Jon Olsen depôs hoje em Oslo no julgamento do atirador norueguês que matou 69 pessoas

Reuters,

03 Maio 2012 | 17h14

OSLO - Quando o capitão de balsa norueguês Jon Olsen pediu ao jovem policial para cobrir a sua arma de modo a não perturbar as crianças em um acampamento de verão em uma ilha em julho passado, ele mal podia imaginar que em poucos minutos o oficial iria se transformar em um assassino em massa.

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Olsen contou no julgamento do atirador Anders Behring Breivik nesta quinta-feira, 3, como ele, vestindo um uniforme da polícia, tinha obedecido e coberto a arma com um saco plástico, dizendo que estava lá apenas para proteger o acampamento depois de um ataque terrorista em Oslo horas antes.

Olsen até ajudou Breivik com suas malas ao chegar à ilha de Utoeya, apenas para vê-lo desembrulhar a arma e atirar na namorada de Olsen, à queima-roupa, iniciando uma matança que tirou a vida de 69 pessoas, a maioria deles adolescentes.

"Eu acho que a Monica disse algo, ou eu disse, sobre como ele poderia cobrir seu fuzil, porque o clima em Utoeya estava um pouco tenso", disse Olsen.

A voz de Olsen transparecia pouca emoção. Ele disse que o choque havia provavelmente apagado boa parte de sua memória.

"Eu vejo ele atirar no (segurança) Trond Berntsen por trás e vejo Trond cair. Eu não me lembro se eu posso vê-lo atirar em Monica ou não, acho que sim."

A apenas cerca de 10 metros de distância do atirador, Olsen fugiu para salvar sua vida, escondendo-se entre as árvores, antes de fazer seu caminho para o barco e transportar algumas pessoas de volta para a costa. Elas deitaram no barco com medo de que Breivik atirasse nelas.

"Comecei a sentir o desespero rastejar dentro de mim", disse ele. "Estava completamente tranquilo ... a gente estava pensando que isso era completamente irreal. O céu deveria estar cheio de helicópteros."

A polícia norueguesa, distraída pelo ataque com bomba que Breivik havia causado antes, matando oito pessoas em Oslo, tem sido criticada por não responder mais rapidamente aos pedidos de ajuda vindos da ilha de Utoeya.

Breivik, que diz que o assassinato dos adolescentes foi justo porque eles eram politicamente ativos, ouviu impassivelmente o relato de Olsen, em um tribunal construído especialmente para o julgamento, que está agora na terceira das dez semanas previstas.

Olsen disse que ele e sua namorada tinham pensado que o acampamento de verão era um alvo convidativo para um ataque terrorista.

"Nós tínhamos falado sobre isso, Monica e eu, como isso poderia acontecer", disse ele. Kadafi tinha dito que iria enviar terroristas ... eu pensei que ele (Breivik) fosse enviado da Líbia."

Breivik admitiu os assassinatos, mas nega responsabilidade criminal, dizendo que estava defendendo a pureza étnica norueguesa da imigração muçulmana e do multiculturalismo promovido pelo Partido Trabalhista.

 

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