EFE/ Michael Reynolds
EFE/ Michael Reynolds

Sem tantos beijos e abraços, Merkel encontra Trump na Casa Branca

Ao contrário da visita do presidente francês Emmanuel Macron, chanceler alemã foi recebida de modo protocolar, por cerca de três horas, para discutir relações comerciais, combate ao terrorismo e o acordo nuclear com o Irã

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2018 | 17h40

WASHINGTON - A visita durou apenas três horas, com direito a dois apertos de mão - na chegada e na partida - e dois protocolares beijos nas faces. O encontro entre a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente americano Donald Trump, nesta sexta-feira, 27, em Washington, teve bem menos calor humano do que a visita oficial do presidente francês Emmanuel Macron à Casa Branca, no começo da semana. 

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Em termos práticos, o encontro também ficou aquém do esperado. Trump e Merkel discutiram relações econômicas, combate ao terrorismo, aproximação entre as Coreias e o acordo nuclear do Irã. Trump, em breves comentários ao lado de Merkel no Salão Oval, a chamou de uma “mulher extraordinária”, a felicitou por sua recente reeleição e contestou a ideia de que o relacionamento entre eles era gelado. “Temos um ótimo relacionamento. Na verdade, tivemos um ótimo relacionamento desde o começo”, disse Trump, que já teve com Merkel todo tipo de desacordo.

Apesar de sua visita ser curta, a mensagem de Merkel foi semelhante à da Macron – que os EUA e a Europa não podem ficar brigando em questões fundamentais, do comércio global à segurança internacional.

Na entrevista coletiva, ficou claro que, apesar das visitas consecutivas, as divisões de Trump com a Europa ainda são substanciais. Trump criticou a Europa e a Alemanha pelo que chamou de “desequilíbrios da balança comercial” entre os EUA e a Alemanha. Ele também repreendeu os alemães por não cumprirem suas obrigações de defesa com a Organização do Tratado do Atlântico Norte, dizendo que é “essencial que nossos aliados da Otan aumentem sua contribuição financeira”.

O presidente americano também voltou a lembrar que a reaproximação das Coreias teve influência das sanções econômicas contra o regime de Kim Jong-un, medidas que tiveram apoio da Alemanha e de outros aliados. E assim como fez com Macron, exortou a Alemanha a endurecer as conversas com o Irã para tentar melhorar o acordo nuclear firmado entre iranianos e outros seis países: EUA, Alemanha, França, Rússia, China e Reino Unido.

É esperado que Trump retire os EUA do acordo nuclear com o Irã no mês que vem, apesar dos apelos de Macron no início da semana e de Merkel, ontem. Merkel usou seu encontro com Trump para tentar discutir as diferenças, chamando o acordo da era Barack Obama de um “primeiro passo” para reduzir e conter as ambições regionais do Irã e sugerir abertura para um acordo paralelo. 

“Precisamos de mais garantias de que o Irã não vai trabalhar para desenvolver armas nucleares, e seria importante melhorar o acordo nuclear com o Irã”, disse Merkel. “Temos de lutar contra as tentativas do Irã de se tornar uma potência nuclear e também acreditamos que seja necessário levar adiante mais verificação e mais monitoramento”, acrescentou a chanceler.

Embora seja pouco provável que a Alemanha aceite reescrever o acordo anterior, o governo de Berlim indicou que está preparado para adicionar termos ao acordo, ou negociar um tratado paralelo, para adicionar ações que consigam reprimir o programa de mísseis balísticos de Teerã e refreiem os esforços iranianos para fortalecer seu papel estratégico no Oriente Médio. No início desta semana, Macron deixou claro que a França não seguirá o exemplo americano se Trump decidir se retirar do acordo iraniano./ W.POST, EFE, AFP, NYT 




 

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