Sem-terra do Paraguai retomam invasões de fazendas

Sem-terra paraguaios retomaram hoje as invasões de propriedades de soja como medida de protesto pela demora da reforma agrária no país - uma das principais promessas de campanha do hoje presidente Fernando Lugo. A informação foi divulgada pelo líder da esquerdista Mesa Coordenadora de Organizações Campesinas (MCNOC), Luiz Aguayo. Os sem-terra entraram em duas propriedades, com 150 e 400 hectares, no Departamento (Estado) de San Pedro, o mais pobre do país, a 340 quilômetros ao norte de Assunção.

AE-AP, Agencia Estado

21 de maio de 2009 | 15h37

"Os companheiros líderes de nossas filiais em San Pedro estão ocupando as propriedades que, segundo nossas informações, possuem documentação irregular", afirmou Aguayo. Além disso, o líder campesino disse, durante entrevista coletiva, que "a paciência está se esgotando ante a inação do governo do presidente Lugo".

Aguayo lembrou a promessa eleitoral feita há mais de um ano por Lugo, de implementar uma reforma agrária ampla, a fim de beneficiar 300 mil famílias de sem-terra. "Já não podemos esperar outro ano. O presidente Lugo argumenta que não há orçamento suficiente, que a burocracia é pesada para fazer licitações, reunir dados para um cadastro, e assim passa o tempo sem fazer nada", reclamou. Lugo não comentou o assunto. Porém, na terça-feira, ele reconheceu que sua gestão "é lenta, mas ninguém pode acusar que roubamos o dinheiro do povo".

Sobre a reforma agrária, Lugo explicou que "o processo é lento por causa da falta de orçamento suficiente, mas um de nossos planos é a recuperação das terras irregulares" ou entregues pelo governo a pessoas que não vivem em situação de pobreza e que, portanto, não deveriam ser beneficiadas pela reforma agrária. Nos últimos dez dias, foram registradas seis invasões de propriedades de soja, trigo e girassol apenas no Departamento de San Pedro, segundo a imprensa local.

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