AP Photo/Francois Mori
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Sem trégua para o Natal, sindicatos medem apoio com nova greve na França

Ferroviários mantêm mobilização contra reforma da previdência do presidente Macron e moradores e turistas têm dificuldade de locomoção por cidades do país durante as festas de fim de ano; prejuízo no setor chega a 400 milhões de euros

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2019 | 16h21

PARIS - Sem pausa nos protestos e paralisações por conta do Natal, turistas e moradores têm dificuldade de se locomover por cidades da França enquanto governo e sindicatos trocam acusações sobre a responsabilidade pelo caos durante as festividades de fim de ano. 

A greve nos transportes continuou nesta terça-feira, 24, véspera de Natal, com os ferroviários determinados a manter sua mobilização contra a reforma da previdência do presidente Emmanuel Macron. Foi o vigésimo dia de greve e apenas 40% dos trens de alta velocidade (TGV) circularam no país, segundo a SNCF, operadora ferroviária.

O tráfego foi reduzido ainda mais na parte da tarde, com o fechamento total das linhas de trens suburbanos parisienses, que só devem ser reabertas hoje, segundo a SNCF.

“Não há razão para que a greve pare subitamente”, disse Laurent Brun, secretário-geral da CGT ferroviária, ao jornal La Humanidad. “Não vamos parar quando perdemos 20 ou 25 dias de salário apenas porque é ano-novo”, afirmou, indicando que o movimento deve continuar na próxima semana.

Em Paris, apenas duas linhas automatizadas do metrô funcionaram normalmente e várias estavam completamente fechadas.

Durante visita à Costa do Marfim no sábado, Macron havia enviado um recado aos grevistas, dizendo que “é bom saber fazer uma trégua” e invocar seu “senso de responsabilidade”. Os sindicatos e manifestantes ignoraram o alerta e decidiram manter a agenda de greves. 

A grande dúvida com a continuidade das ações durante as duas semanas de Natal e ano-novo é se os sindicatos continuarão a ter o apoio popular que têm atualmente. No início do movimento, a adesão foi maior, mas ainda hoje é grande. 

O projeto de reforma de Macron quer substituir os 42 sistemas de pensão existentes - alguns dos quais permitem que determinadas categorias, principalmente maquinistas, aposentem-se antes - por um “sistema universal” por pontos. Também inclui uma forte incitação a se trabalhar até os 64 anos, em vez dos 62 de idade “legal” para a aposentadoria.

Prejuízos

A greve já causou uma perda de 400 milhões de euros para a SNCF, segundo informou seu presidente Jean Pierre Farandou, em entrevista ao jornal Le Monde, ontem.

“O conflito não acabou e ainda é muito cedo para fazer um balanço completo, mas depois de vinte dias, já contabilizamos 400 milhões de euros de faturamento que não serão realizados neste período”, explica Farandou, prevendo “que as contas de 2019 serão fortemente impactadas por esse conflito”.

Na segunda-feira, os manifestantes bloquearam brevemente o tráfego na linha 1 do metrô de Paris e ocuparam os trilhos do trem em Lyon. Houve confrontos e a rede de televisão BFM mostrou imagens do batalhão de choque confrontando um grupo de 30 manifestantes na estação Gare de Lyon, uma das mais movimentadas da capital francesa e muito usada por frequentadores de estâncias de esqui próximas dos Alpes.

Os comerciantes parisienses registraram nas últimas semanas queda de 25% a 30% em suas vendas em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Federação de Comércio Especializado. O Conselho de Comércio da França (CdCF) apresentou o dado de 20% de queda. Entre as empresas mais afetadas estão as perfumarias, lojas de brinquedos e de chocolates. 

Até o momento, não há solução à vista, goste o presidente Macron ou não. O governo marcou para o dia 7 de janeiro a próxima reunião entre ministros e sindicatos para tentar fechar um acordo e encerrar as manifestações e greves no país.

As discussões vão prosseguir até a apresentação do projeto de lei em Conselho de ministros no dia 22 de janeiro.

Paralelamente, o primeiro-ministro Edouard Philippe “vai propor um método de trabalho” sobre o equilíbrio financeiro do sistema previdenciário na “semana de 6 de janeiro”. / AFP e NYT

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