Sem verbas públicas, Obama sai fortalecido

Recorrer apenas a doações privadas evitou limites a gastos de democrata

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

A decisão tomada em junho pelo democrata Barack Obama de abrir mão do financiamento público e recorrer a doações privadas para financiar sua campanha tem sido uma das principais razões para o sucesso de sua candidatura. Os cofres abarrotados de doações ajudaram o democrata a intensificar sua presença em Estados considerados republicanos e obrigaram seu rival John McCain a gastar dinheiro para tentar sobreviver em lugares onde sua vitória estava garantida. Veja trajetória e idéias dos candidatosObama é o primeiro candidato presidencial a abrir mão do financiamento público - que limita os gastos de toda campanha a US$ 84 milhões - desde sua implementação, em 1976, após o escândalo Watergate, para para coibir fraudes. O sistema é financiado pelos contribuintes, que decidem se querem ou não destinar US$ 3 de sua restituição do imposto de renda para o fundo eleitoral.O marqueteiro americano Charles Rosen, um dos responsáveis pela captação de recursos do Partido Democrata nos EUA, acredita que a bem-sucedida estratégia adotada por Obama é resultado do longo período das primárias, no qual Obama competiu com a senadora Hillary Clinton pela indicação partidária. "As primárias democratas foram as mais longas da história do partido e, por causa da competição com Hillary, Obama teve de pensar em uma estratégia mais ampla que englobasse todos os 50 Estados do país", disse Rosen, que participa até amanhã de um evento em São Paulo para profissionais de marketing no Senac Santo Amaro. "Dessa maneira, ele teve teve mais tempo para espalhar sua mensagem e tomou a dianteira na disputa."A campanha de Obama entregou ontem um relatório à Comissão Eleitoral Federal detalhando as doações de setembro, quando o democrata captou US$ 150 milhões. O recorde anterior havia sido registrado em agosto, quando ele obteve US$ 67,5 milhões. Dados oficiais indicam que o democrata conseguiu 632 mil novos doadores no mês passado, aumentando para 3,1 milhões o número de pessoas que o apóiam financeiramente.MUDANÇA NA TRADIÇÃORosen - que trabalhou para Hillary nas primárias - explica que um dos grandes trunfos do senador democrata foi ter atraído pessoas que doam pequenas quantias. "O dinheiro de campanha antes vinha de doadores tradicionais, que eram poucos, mas doavam muito", afirmou. "Obama instituiu um novo sistema com muitos doadores que doam pouco, mas que estão mais estimulados a contribuir." Segundo o marqueteiro, as doações pela internet foram cruciais para o sucesso da captação porque incentivaram as arrecadações em pequenas comunidades. No total, Obama arrecadou até agora US$ 605 milhões - quase oito vezes mais que os US$ 84 milhões do financiamento público de McCain. Com o dinheiro, ele pôde investir em Estados republicanos, pagar anúncios em videogames e comprar espaço de meia hora nas principais emissoras do país para um comercial que irá ao ar dia 29. De acordo com o relatório oficial de gastos divulgado ontem pela equipe do republicano, McCain gastou US$ 37 milhões em setembro e só pode usar mais US$ 47 milhões até a eleição do dia 4.AVÓA equipe de Obama anunciou ontem que o candidato interromperá sua campanha, ainda esta semana, para viajar para o Havaí. O democrata pretende visitar Madelyn Dunham, a avó que o criou desde os 10 anos, cuja saúde se deteriorou bastante nos últimos dias.

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