Semáforo solar marca progresso em Porto Príncipe

Miséria ainda choca, mas há avanços

DAMARIS GIULIANA, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

Quem visita Porto Príncipe costuma chocar-se com a pobreza e a poluição. O cinza das construções inacabadas domina quase toda a paisagem. Essa tendência é quebrada pelas alegres paredes das centenas de salões de beleza e pelos coloridíssimos tap-taps, ou lotações. O trânsito de Porto Príncipe ganhou um componente em 2008: os semáforos. Eles funcionam com energia solar. A programação, às vezes, parece confusa. Há momentos em que um semáforo pisca amarelo e, o outro, vermelho. Os haitianos ainda estão aprendendo a conviver com esse sinal e nem sempre o respeitam. A buzina é indispensável. Muitos carros não têm pisca-pisca ou faróis. Placas, só as com nome de rua, mas o Estado localizou só duas.A confusão é generalizada. Segundo Andregene Pierre, que trabalha como intérprete, para conseguir a carteira de habilitação, basta pagar o equivalente a US$ 200. As aulas são opcionais. Outra novidade são os "orelhões". Na realidade, são aparelhos móveis, mas com cara de fixo. Há banquinhas por toda a cidade. Na favela de Bel-Air, o minuto da ligação custa 1 dólar haitiano - moeda virtual mais valiosa do que o gourde - ou US$ 0,20. Willians Belga, dono de uma das bancas, conta que trabalha das 5 às 18 horas e faz até 20 ligações por dia. A concorrência está dificultando os negócios, porque o celular também virou febre - são mais 2,5 milhões de aparelhos. Também não se vê mais tanto lixo pela cidade porque agora existe serviço de coleta. Um sistema ainda deficiente, é verdade. As ruas, porém, estão mais largas e movimentadas. Cresceu o número de regiões pavimentadas e de carros novos, assim como de ambulantes. Antes, em qualquer lugar da cidade, os estrangeiros eram cercados por dezenas de pessoas que passavam o dia vagando, batendo a mão na barriga, gritando "manger" ("comer", em francês). Isso ainda acontece, mas em menor escala. Hoje, o que pedem é trabalho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.