Senado abre brecha para nova reeleição de Uribe

Projeto de referendo deve passar agora por Tribunal Constitucional

France Presse e Efe, BOGOTÁ, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

O Senado colombiano aprovou ontem, por 62 votos a favor e 5 contra, a proposta de referendo que abre caminho para o presidente Álvaro Uribe reeleger-se pela segunda vez em 2010. A sessão foi extremamente agitada, com os senadores dos opositores Partido Liberal (com 18 congressistas) e Polo Democrático Alternativo (PDA, com 8 senadores) deixando a Casa antes da votação. No total, 35 dos 102 senadores abstiveram-se de votar. "Essa proposta permite a instalação de uma ditadura e um governo plutocrático", disse o senador Luis Carlos Avellaneda, do PDA.Pelo projeto, uma emenda constitucional ampliando de dois para três o número máximo de mandatos consecutivos de um presidente deve ser levada a consulta popular. Mas a convocação do referendo ainda deve ser avaliada pelo Tribunal Constitucional da Colômbia - o que pode demorar de três a quatro meses. Além disso, o Senado e a Câmara dos Deputados também precisam formar uma "comissão de conciliação" para entrar em acordo sobre o texto do referendo. A proposta aprovada pelos deputados diz que a permissão para a segunda reeleição passaria a valer a partir de 2014. Mas, em abril, uma comissão do Senado reformou o texto para que a norma entrasse em vigor já em 2010. No poder desde 2002, Uribe nunca se pronunciou abertamente sobre a aprovação do terceiro mandato, mas tampouco descartou a possibilidade de tentar a reeleição. O presidente não desestimulou seus partidários quando eles lançaram uma campanha para conseguir assinaturas para pedir que o Congresso discutisse o referendo. Na segunda-feira, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, renunciou ao cargo para lançar sua candidatura à presidência, mas fez a ressalva de que só tentará se eleger se Uribe não estiver no páreo. Em 2003, a população rejeitou, em uma consulta popular, a primeira reeleição de Uribe, que só conseguiu aprová-la por meio de uma polêmica emenda constitucional no Legislativo. Desde então, ele vem conseguindo manter altos índices de popularidade graças ao relativo sucesso da guerra do governo contra os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). POPULARIDADEA aprovação de Uribe chegou a 91% em julho, após o resgate da ex-senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt, que por seis anos foi refém da guerrilha. No entanto, a popularidade do presidente caiu recentemente para 68% por causa de escândalos de corrupção, acusações de improbidade administrativa e violações dos direitos humanos cometidas por membros de seu governo. Até seus filhos - Tomás e Gerónimo - foram acusados de tráfico de influência.

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