Win McNamee/AFP
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Voto de McCain garante vitória da Casa Branca contra Obamacare

Crítico do presidente americano, republicano volta ao Congresso após ser diagnosticado com um tumor no cérebro

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 16h34
Atualizado 25 Julho 2017 | 19h32

Diagnosticado com um câncer agressivo no cérebro há seis dias, o senador John McCain interrompeu sua licença médica para dar nesta terça-feira, 25, o voto decisivo a mais uma tentativa dos republicanos de cumprirem sua promessa de rejeitar o Obamacare. Mas o veterano de guerra alertou que deu o “sim” apenas para permitir a discussão do tema e anunciou que votará contra o projeto em seu formato atual.

Com deserção de duas senadoras republicanas, a questão procedimental foi aprovada e colocou em pauta a proposta que revoga a reforma do sistema de saúde aprovada pelos democratas em 2010. Nos próximos dias, o partido governista terá de superar divergências internas e definir o texto que será apresentado ao plenário.

O placar de hoje é uma indicação de que as chances de vitória final são remotas. A moção para colocar a questão em pauta foi aprovada por 51 a 50, com o voto de Minerva do vice-presidente Mike Pence, que se manifesta quando há empate entre os 100 senadores. Sem a presença de McCain, o placar seria de 50 a 49 pela não apreciação do projeto.

Com pontos e hematomas da cirurgia a que foi submetido há 12 dias ainda visíveis ao redor de seu olho esquerdo, McCain votou sob aplauso de seus colegas. Candidato republicano à presidência em 2008, ele teve seu status de herói de guerra questionado pelo presidente Donald Trump no início de sua campanha eleitoral, em 2015. 

“Eu gosto das pessoas que não foram capturadas”, disse o bilionário sobre o senador, que passou cinco anos em uma prisão no Vietnã, da qual saiu com sequelas provocadas por sessões de tortura.

Na manhã de hoje, antes da votação, Trump elogiou McCain por sua decisão de voltar a Washington apesar de sua condição de saúde. “Bravo – Heroi americano!”, escreveu no Twitter.

Mas o súbito entusiasmo do presidente pode ter curta duração. “Eu votei pela moção de prosseguir para permitir que o debate continue e emendas sejam oferecidas. Eu não vou votar nesse projeto da maneira como ele se encontra hoje”, anunciou em discurso depois da votação, no qual lançou farpas contra Trump e conclamou seus colegas republicanos e democratas a trabalharem juntos.

“Nós não estamos conseguindo fazer nada”, declarou. “Tudo o que nós realmente fizemos neste ano foi confirmar Neil Gorsuch para a Suprema Corte.” 

McCain criticou a liderança de seu partido por negociar a proposta de rejeição do Obamacare a portas fechadas com representantes da administração Trump e se mostrou cético em relação às chances de aprovação do texto. “Eu não sei se isso vai funcionar no fim. E provavelmente não deveria (funcionar)”, ressaltou.

O presidente pressionou os senadores do partido a votarem a favor da moção e criticou as duas parlamentares dissidentes. Depois da votação, ele disse que o Obamacare é um "desastre" e prometeu um sistema de saúde “espetacular”. O problema é que seu próprio partido não consegue chegar a um acordo sobre uma alternativa. 

O Departamento de Orçamento do Congresso estimou que 22 milhões de americanos que poderiam obter seguro-saúde com o Obamacare ficarão sem o benefício nos próximos dez anos, caso o projeto que está no Senado seja aprovado.

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