REUTERS/Joshua Roberts
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Congresso americano chega a acordo para encerrar paralisação do governo

Democratas e republicanos aprovam autorização de gastos para financiar o governo até o dia 8 de fevereiro; neste período, tentarão definir um projeto de lei que prorrogue o Daca - programa que protege 690 mil jovens imigrantes de deportação

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2018 | 15h45
Atualizado 23 Janeiro 2018 | 00h41

O Congresso dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira, 22, uma autorização de gastos que permitirá a reabertura do governo na terça-feira, depois de três dias de paralisação. A medida também foi aprovada pela Câmara de Deputados e sancionada ontem mesmo pelo presidente Donald Trump. Mas a questão do financiamento da administração voltará à pauta em três semanas, o que poderá levar a um novo impasse.

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Líderes democratas e republicanos na Casa chegaram a um acordo que garante as despesas para funcionamento do governo até o dia 8 de fevereiro. Nesse período, os dois lados tentarão definir um projeto de lei que prorrogue o Daca (Ação Diferida para Chegadas de Crianças, em tradução livre), o programa do ex-presidente Barack Obama que protege 690 mil jovens imigrantes de deportação. 

O presidente Donald Trump anunciou em setembro que a proteção deixará de existir em março, caso o Congresso não aprove legislação sobre o assunto. O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, se comprometeu a colocar a proposta em discussão depois do dia 8, na hipótese de um acordo não ser alcançado até lá.

"O processo será neutro e justo para todos os lados", declarou o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, ao anunciar o resultado da negociação para destravar o governo. "Em algumas horas, o governo voltará a funcionar. Temos muita coisa para fazer", completou.

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A ala de esquerda do Partido Democrata, representada pelos senadores Bernie Sanders e Elizabeth Sanders, votou contra a proposta de autorização de gastos.

Depois do Senado, o projeto que financia o governo até o dia 8 foi enviado para a Câmara, ainda na tarde de segunda-feira, e sancionado por Trump no fim do dia. Ao assinar a legislação aprovada pelo Congresso, o líder americano põe fim à paralisação parcial que durou 69 horas.

A dúvida agora é se um projeto de lei do Senado que proteja os beneficiários do Daca passará na Câmara dos Deputados, onde a influência dos republicanos conservadores é maior. Em 2013, o Senado aprovou uma proposta abrangente de reforma migratória, que não chegou nem a ser votada na Câmara em razão da resistência da ala mais à direita do Partido Republicano.

Schumer responsabilizou o ocupante da Casa Branca pelo fechamento do governo. "O presidente rejeitou dois acordos bipartidários que teriam evitado esse shutdown", afirmou no plenário do Senado, ao anunciar o acordo. "A razão pela qual a maioria republicana teve tanta dificuldade em obter consenso é que eles não puderam ter entendimento firme do que o presidente de seu partido queria fazer", ressaltou.

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Os republicanos acusaram os democratas pela paralisação e condicionaram qualquer negociação em torno da questão imigratória à reabertura do governo.

O líder democrata disse que não havia conversado com Trump nem com nenhum representante da Casa Branca durante o fim de semana. "O grande presidente, que fecha acordos, ficou marginalizado (nas discussões)", ressaltou. Schumer destacou que a Casa Branca rejeitou dois acordos fechados pelos dois partidos, entre os quais um que garantia recursos para construção do muro na fronteira com o México.

A Casa Branca disse que está disposta a aceitar um projeto que proteja os beneficiários do Daca, desde que o texto inclua demandas da administração, entre os quais restrições à concessão de residência legal a familiares de imigrantes nos EUA, aumento de recursos para segurança na fronteira, recursos para o muro e fim do sistema de loteria que dá status legal a imigrantes de nacionalidades pouco representadas na população de estrangeiros no país.

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