AFP PHOTO / CHRIS KLEPONIS
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Senado americano pede que ex-assessor de Trump entregue documentos sobre suas empresas

Solicitação foi feita em razão da possível relação de Michael Flynn com a Rússia; nova petição é uma resposta à decisão de seus advogados de que ele se apoiaria nas proteções oferecidas pela Constituição e não entregaria os dados solicitados

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 11h19

WASHINGTON - A Comissão de Inteligência do Senado dos EUA ordenou na terça-feira 24 que o general aposentado Michael Flynn, ex-assessor de segurança nacional do presidente Donald Trump, entregue documentos sobre duas de suas empresas em razão de sua possível relação com Rússia.

O presidente da Comissão de Inteligência do Senado, o republicano Richard Burr, e seu vice-presidente, o democrata Mark Warner, anunciaram sua nova solicitação em uma coletiva de imprensa.

De acordo com Burr, a nova petição de documentos acontece em resposta à decisão anunciada pelos advogados de Flynn, que foi assessor de segurança nacional de Trump durante o primeiro mês do mandato do republicano até que se viu forçado a renunciar em meados de fevereiro.

Os advogados do ex-general afirmaram que Flynn havia decidido se apoiar nas proteções oferecidas pela Constituição para não entregar documentos solicitados pelo Senado e considerados relevantes à investigação sobre a tentativa russa de influenciar o resultado das eleições de novembro.

Os advogados disseram que Flynn se acolheria à Quinta Emenda da Constituição americana, que concede a qualquer indivíduo o direito de não testemunhar se suas palavras puderem ser usadas para prejudicá-lo, ou seja, para se incriminar por um delito.

Em sua notificação, os advogados de Flynn argumentaram que a petição de documentos feita pelo Senado no dia 10 de maio era muito ampla e, por isso, os dados poderiam acabar sendo usados contra seu cliente.

Em resposta, segundo Burr, a Comissão de Inteligência decidiu fazer duas petições muito "específicas" para obter informação sobre duas empresas de Flynn: Flynn Intel LLC e Flynn Intel Inc, as duas com base em Alexandria, Virgínia, e aparentemente destinadas a fornecer serviços de inteligência em nível global.

Os líderes da Comissão de Inteligência também anunciaram que enviarão uma carta aos advogados de Flynn para questionar seu direito a se acolher à Quinta Emenda, normalmente usada para proteger o direito a não testemunhar e não para evitar a entrega de documentos, como neste caso.

"Tomamos medidas que consideramos apropriadas agora. Se não houver uma resposta, buscaremos conselho adicional sobre como proceder", declarou Burr, ressaltando que, se Flynn se negar a colaborar com as investigações, existe a opção de indiciá-lo por "desacato".

Flynn se viu obrigado a renunciar pela crise interna criada por ter ocultado informação do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, sobre seus contatos com o embaixador russo, Serguei Kislyak, durante o período de transição.

O ex-assessor de segurança nacional é um dos personagens mais expostos à suspeita de que membros da equipe de Trump podem ter conspirado de algum modo com o Kremlin para prejudicar as chances de eleição da então candidata democrata à presidência, Hillary Clinton. / EFE

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