AFP PHOTO / SAUL LOEB
AFP PHOTO / SAUL LOEB

Senado americano rejeita derrubar o Obamacare

Um dia após a Casa aprovar a abertura dos debates sobre o fim da Lei de Saúde de 2010, vários republicanos votaram contra as mudanças propostas

O Estado de S.Paulo

26 Julho 2017 | 22h34

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira a derrogação do Obamacare, depois da deserção de republicanos, que na véspera tinham conseguido aprovar a abertura dos debates sobre a reforma da Saúde.

Por 55 votos, 7 deles republicanos, o Senado se negou a aceitar o desmonte sem substituição da Lei de Saúde de 2010. Se a derrogação fosse aceita, dezenas de milhões de americanos teriam ficado sem seguro de saúde. 

O Senado, controlado pelos republicanos, aprovou por uma margem estreita de votos na terça-feira a abertura dos debates com o objetivo de aprovar nesta semana um projeto para a derrogação ao menos parcial da lei da Saúde instaurada durante o governo de Barack Obama, conhecida como Obamacare.

A votação de terça-feira foi celebrada pelo presidente Donald Trump, que a qualificou de "passo de gigante para o fim do pesadelo do Obamacare" dado pelo Senado, que poderia levar a "um plano verdadeiramente maravilhoso para o povo americano".

A alegria, no entanto, durou pouco: o partido republicano, dividido, não conseguiu chegar a um consenso sobre a reforma do sistema de saúde.  

Horas depois do voto de Minerva do vice-presidente Mike Pence, nove senadores republicanos se uniram à oposição democrata para rejeitar um projeto de derrogação total do Obamacare.

As tentativas de Mitch McConnell, chefe da bancada republicana no Senado, para acabar com o sistema  atual de Saúde e propor um substituto estavam destinadas ao fracasso.

O enfoque que parece ganhar terreno é o do desmantelamento limitado do Obamacare, conhecido como  "derrogação reduzida".

Este caminho eliminaria a obrigação de particulares de contratar um plano de saúde sob pena de multa, assim como a obrigação das empresas de propor uma cobertura médica para seus funcionários. Esta reforma parcial também eliminaria um imposto aos fabricantes de equipamentos médicos.

Mas esta solução provoca críticas dos democratas, que advertem que a eliminação do Obamacare provocará cortes importantes no Medicaid, o programa de cobertura médica para os mais pobres e deficientes, assim como generosas reduções de impostos para os mais ricos e elevação da contribuição para pessoas com antecedentes médicos. 

O chefe da bancada democrata no Senado, Chuck Schumer, qualificou a reforma parcial de "Cavalo de Troia". 

A Câmara adotou a eliminação do Obamacare e uma reforma do sistema de saúde em maio passado, mas o projeto naufragou no Senado, que empreendeu seus próprios esforços, igualmente improdutivos.

Senado de Câmara devem adequar seus textos antes de a nova lei ser firmada por Trump.

O presidente tem utilizado toda a sua influência para cumprir a promessa de campanha de enterrar o Obamacare, e chegou a ameaçar vários senadores republicanos. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.