Jim Lo Scalzo/ AFP
Jim Lo Scalzo/ AFP

Senado aprova Lloyd Austin para chefiar o Pentágono

General aposentado se torna primeiro negro a ocupar o cargo de secretário de Defesa dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2021 | 13h32
Atualizado 22 de janeiro de 2021 | 14h13

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos confirmou o general aposentado Lloyd Austin como novo secretário de Defesa do país nesta sexta-feira, 22. Indicação do presidente Joe Biden, Austin se tornou o primeiro afro-americano a chegar ao controle do Pentágono.

A nomeação de Austin foi aprovada por 93 votos a 2, o que confirmou o segundo nome do gabinete do governo Biden. Antes, na quarta-feira, Avril Haines foi confirmada como a primeira mulher nomeada como diretora de inteligência. Espera-se que Biden obtenha a aprovação para outros integrantes de sua equipe de segurança nacional nos próximos dias, incluindo Antony Blinken como secretário de Estado.

Formado na Academia Militar de West Point, Austin tem 67 anos, 41 deles dedicados à carreira militar. Nas forças armadas americanas, ele quebrou paradigmas raciais, sendo o primeiro negro a alcançar o posto de vice-chefe  do Estado-Maior, em 2012, e o primeiro general negro a chefiar o Comando Central dos EUA.

Com a indicação de Austin, Biden está procura restaurar a estabilidade no topo do Pentágono, que passou por dois secretários de Defesa confirmados pelo Senado e quatro que ocuparam o cargo interinamente durante a administração Trump.

Alto e de voz estrondosa, o general também é conhecido pela tendência de recuar diante de publicidade. Austin costuma se descrever como filho de um funcionário dos correios e de uma dona de casa de Thomasville, na Geórgia. Ele prometeu falar o que pensa ao Congresso e ao presidente Biden.

A relação entre Biden e Austin começou durante o governo de Barack Obama, quando o atual presidente ocupava o cargo de vice. Os dois trabalharam em estreita colaboração entre 2010 e 2011 para diminuir o envolvimento militar dos EUA no Iraque, enquanto o general era o principal comandante americano em Bagdá. 

As forças americanas se retiraram totalmente - com retorno em 2014 - depois que o grupo extremista do Estado Islâmico capturou grandes áreas do território iraquiano. No Comando Central, Austin foi um "arquiteto-chave" da estratégia para derrotar o EI no Iraque e na Síria.

Confirmação difícil

A confirmação de Austin foi complicada por seu status de general recém-aposentado, o que exigiu a dispensa de uma proibição que impede um oficial militar de servir como secretário de Defesa antes do prazo de sete anos após a aposentadoria.

Em votações realizadas na quinta-feira, 21, deputados e senadores dos partidos Republicano e Democrata aprovaram a dispensa especial para o general Austin pudesse ocupar o cargo. O esforço do Capitólio para acelerar os trabalhos - e a pressão exercida pelos democratas para uma rápida aprovação do nome do general - refletem a urgência do governo em definir o responsável pela Defesa, medida que normalmente é tomada no primeiro dia de um presidente para sinalizar a continuidade do poder americano.

"Diante das muitas ameaças, tanto estrangeiras quanto domésticas, que nossa nação enfrenta, é essencial que o secretário designado Austin seja imediatamente confirmado", disse a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi. 

"Bloquear essa nomeação seria um erro que, entre outros perigos, atrasaria o trabalho urgente a ser feito para restaurar a independência e as capacidades do Departamento de Defesa, o que devemos fazer o mais rápido possível", completou.

Em sua audiência de confirmação na terça, Austin disse que não havia buscado a nomeação, mas estava pronto para liderar o Pentágono sem se apegar ao seu status militar e com plena consciência de que ser um nomeado político e membro do Gabinete requer "uma perspectiva diferente e deveres únicos na carreira".

'A pessoa que precisamos no momento'

Biden disse em dezembro, quando anunciou Austin como seu candidato, que o considerava "a pessoa de que precisamos neste momento" e que confia em Austin para garantir o controle civil dos militares. Os críticos da nomeação questionaram a sensatez de abrir uma exceção à lei contra um oficial militar recém-aposentado que servia como secretário de Defesa, observando que a proibição foi posta em prática para proteger contra influência militar indevida em questões de segurança nacional.

Questionado por senadores, Austin prometeu abordar temas como a supremacia branca e o comportamento extremista entre militares - problemas que receberam pouca atenção pública de seu antecessor imediato, Mark Esper. O general prometeu "livrar nossas fileiras de racistas".

"O trabalho do Departamento de Defesa é manter a América segura de nossos inimigos", disse ele. "Mas não podemos fazer isso se alguns desses inimigos estiverem dentro de nossas próprias fileiras." Austin disse que insistirá que os líderes de cada serviço militar saibam que o comportamento extremista em em seus quadros é inaceitável.

"Não podemos ser passivos nisso", disse ele. "Temos que estar ativos, e temos que nos apoiar e ter certeza de que estamos fazendo as coisas certas para criar o clima certo"/ AFP, AP e NYT

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