Senado aprova novo secretário de Defesa de Obama

Nome de Chuck Hagel foi aceito pelos senadores depois de quase um mês de impasse e de resistência por parte dos republicanos

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h03

Após um mês de obstrução, o Senado americano aprovou ontem a indicação do ex-senador republicano Chuck Hagel para secretário de Defesa. A indicação havia sido rejeitada pelos antigos colegas de bancada, em desafio ao presidente Barack Obama. O constrangimento, tanto para Hagel como para a Casa Branca, foi contornado com o recuo dos senadores republicanos.

Em uma primeira votação, o Senado derrubou a manobra regimental que condicionava a aprovação de Hagel à obtenção de 60 votos. Embora majoritários na Casa, os democratas e independentes, juntos, jamais alcançariam esse total sem o apoio de republicanos. No entanto, a oposição permanecia fechada em bloco contra a nomeação. Com a derrubada dessa medida, a aprovação poderia ocorrer por maioria simples - 51 votos. Ele obteve 58 votos.

Hagel assumirá o Pentágono fragilizado pela longa espera por sua aprovação e enfraquecido para negociar com o Congresso. Terá diante de si a missão de comandar a retirada dos 66 mil militares americanos do Afeganistão até dezembro de 2014, dos quais 34 mil devem ser removidos ainda este ano. Lidará com as ameaças vindas do Irã e da Coreia do Norte, com a guerra civil na Síria e com o conflito no Mali.

O novo secretário corre ainda o risco de chefiar o Pentágono com menos recursos do que seus antecessores. Se não for concluído e aprovado pelo Congresso o acordo sobre a redução dos gastos federais até a meia-noite do dia 28, o orçamento do Departamento de Defesa encolherá automaticamente US$ 55 bilhões. Entre 2014 e 2022, os gastos militares serão reduzidos em cerca de US$ 600 bilhões.

O atual secretário de Defesa, Leon Panetta, já anunciou a suspensão de um dia de trabalho por semana dos funcionários civis do Pentágono como parte do pacote de corte de gastos. Programas, contratações de serviços e aquisições militares tendem a ser os alvos seguintes.

A sabatina de Hagel pelo Comitê de Serviços Armados do Senado, em 31 de janeiro, durou mais de oito horas. Boa parte do debate girou em torno de suas posições moderadas demais para um republicano. Durante seus 12 anos como senador por Nebraska, ele se opôs à invasão dos EUA ao Iraque, em 2003, e ao envio de um contingente adicional de 33 mil homens ao Afeganistão, em dezembro de 2009. Ambas as iniciativas foram apoiadas pela maioria de republicanos e democratas.

Em temas atuais, Hagel mostrou-se contrário a um possível ataque às usinas nucleares do Irã, mesmo em nome da defesa de Israel, principal aliado dos EUA no Oriente Médio. Na sabatina, para o desagrado dos republicanos, ele afirmou que a política americana para o Irã é de "contenção".

Seus ex-colegas republicanos chegaram a questionar os US$ 5 mil recebidos por Hagel por palestras. O senador republicano Ted Cruz levantou a suspeita de que Hagel poderia ter falado a grupos extremistas.

Chuck Hagel, de 66 anos, preside o Atlantic Council, centro de estudo com sede em Washington, e leciona na Universidade Georgetown. Ele não se desligou do Partido Republicano depois de deixar o Senado, em 2009. Sua indicação para o Pentágono foi graças ao período de convivência com Obama no Congresso e a suas posições moderadas sobre política externa.

Assim como o senador republicano John McCain, um dos que mais se opôs a ele, Hagel é veterano da Guerra do Vietnã. Ele serviu, em 1967 e 1968, como sargento de infantaria e foi condecorado duas vezes com o Coração Púrpura, medalha presidencial conferida a feridos ou mortos em combate. Nos anos 80, fundou a Vanguard Cellular, empresa de serviço telefônico e origem de sua fortuna.

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