Senado argentino aprova pacto sobre Amia

O Senado argentino aprovou ontem à noite, por 39 votos a favor e 31 contra, o memorando de entendimento entre os governos da presidente Cristina Kirchner e de seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para investigar o atentado que destruiu a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em Buenos Aires, em 1994, provocando a morte de 85 pessoas.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h02

A sessão começou com uma troca de acusações entre governistas, que defendem o acordo, e opositores, que acusam o kirchnerismo de provocar um "retrocesso" nas investigações do atentado. Em quase 20 anos do ataque terrorista - o mais grave da história da América Latina - ninguém foi condenado e preso.

O governo pretende criar uma "comissão da verdade" composta por juristas internacionais de renome para investigar a ação (investigação já feita pela Justiça argentina na década passada) e interrogar os suspeitos em Teerã. Mas a comissão não teria poderes coercitivos, já que a lei iraniana impede que cidadãos de seu país sejam extraditados e, até agora, Teerã rejeitou entregar os acusados.

Em 2006, a Justiça argentina acusou iranianos que ocupavam altos postos no governo do então presidente Akbar Hashemi Rafsanjani. Na lista estão o ex-chanceler Ali Akbar Velayati, o ex-ministro da Informação Ali Falahijan, o ex-assessor do governo Moshen Rezai, o ex-adido da embaixada em Buenos Aires Moshen Rabbani e o ex-diplomata Ahmad Reza Ashgari. A principal figura, porém, é o atual ministro da Defesa, Ahamad Vahidi.

A Amia e a Delegações das Associações Israelitas da Argentina (Daia), braço político da comunidade judaica no país, criticam duramente o plano do governo Kirchner. Os grupos sustentam que ele implicaria um retrocesso sem precedentes para o caso, além da perda de soberania da Argentina. Além disso, eles ressaltam que o próprio chanceler Héctor Timerman, defensor do acordo, admitiu que os iranianos podem se recusar a ser interrogados.

O governo alega que o caso Amia está "estancado" e, se a comissão fracassar, a situação não ficará pior do que está.

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