Senado bloqueia medida de reprovação à guerra do Iraque

Um dia após conquistar uma importante vitória na Câmara dos Representantes (deputados), a oposição democrata no Senado americano viu seu plano para votar uma resolução censurando a nova estratégia do presidente George W. Bush para Iraque frustrado neste sábado, 17.Em uma votação apertada, membros do Partido Republicano conseguiram impedir o Senado de dar prosseguimento no debate de uma resolução contra o envio de mais 21,5 mil soldados para o Iraque. A proposta, classificada por Bush como a última solução para sanar a violência que castiga o país árabe, foi repudiada na sexta-feira pela Câmara em uma vitória histórica.Essa é a segunda vez em duas semanas que o Senado votou por não manter os debates sobre a medida contrária ao plano do presidente americano. O resultado foi de 56 votos a favor e 34 contra a continuidade das discussões. Sob as regras do Senado, são necessários 60 votos para colocar a resolução em discussão. Na prática, a decisão impede que o Senado vote uma resolução como a aprovada na sexta-feira pela Câmara.Ainda assim, os democratas consideraram o resultado uma vitória. O líder do Senado Harry Reid, um democrata de Nevada, disse ser significativo que a maioria dos senadores, incluindo sete republicanos, votaram pelo debate. "A maioria do Senado americano votou contra a escalada na guerra do Iraque", disse ele. "O Senado vai continuar tentando forçar o presidente Bush a mudar seu curso no Iraque."Reid explicou que os democratas da Câmara agora trabalhar para impedir o empenho de mais verbas ao Pentágono nos próximos meses. Vitória parcialOs republicanos, por sua vez, criticaram a oposição democrata por recusar a votação de uma medida alternativa que descartava a possibilidade de uma redução de verbas para as tropas no Iraque."Não há lugar para gozações em tempos de guerra", disse o senador republicano Mitch McConnell, do Kentucky. "Mesmo os oponentes mais estridentes do presidente sabem disso. Eles sabem que o único voto que interessa é sobre o financiamento das tropas."A Casa Branca repercutiu as declarações de McConnel, divulgando um nota que citava as votações no Senado e na Câmara, mas cujo foco é o debate sobre o pedido por mais US$ 93 bilhões para despesas militares. "As votações dessa semana deram ao mundo um exemplo do vigor da democracia. As próximas votações devem dar garantias irrefutáveis de que esta nação busca o sucesso, apóia a causa da democracia e luta contra as forças terroristas em suas últimas tentativas de trazer sua violência à nossa terra", afirma a declaração, assinada pelo secretário de imprensa da Casa Branca Tony Snow.A rara sessão em um sábado no Senado ocorreu no mesmo dia em que, em visita a Bagdá, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, parabenizou as lideranças iraquianas pelo avanço na contenção da violência. Segundo um porta-voz do Exército iraquiano, a violência teria sido reduzida em 80% nos últimos três dias.Algumas dezenas de visitantes assistiram ao debate das galerias na sessão extraordinária deste sábado. Um deles foi retirado por seguranças após gritar :"Três mil pessoas morreram! Tragam-nos para casa!"

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