AFP
AFP

Senado colombiano diz que negociações com as Farc estão na 'UTI'

Para presidente da Casa, ataque contra soldados prejudica credibilidade dos guerrilheiros; centro de monitoramento pede que governo não suspenda negociações

O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2015 | 10h00

BOGOTÁ - O presidente do Senado da Colômbia, José David Name Cardozo, afirmou na madrugada desta quinta-feira, 16, que o processo de paz e a credibilidade das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) "estão na UTI" depois de um ataque da guerrilha no Departamento (Estado) de Cauca matar ao menos 11 militares e deixar outros 17 feridos.

Em discurso no plenário do Senado, Cardozo expressou sei apoio ao Processo de paz entre o governo e as Farc, que acontecem em Havana, mas pediu que o presidente Juan Manuel Santos "impeça que as Farc continuem cometendo crimes contra a humanidade".


Além de presidente do Senado, Cardozo é diretor do Partido de la U, o mesmo do presidente, e lembrou que depois do ataque do guerrilheiros, "todos os partidos, de esquerda e de direita se manifestaram contra o assassinato sem escrúpulos cometido pelas Farc".

O político disse ainda que ataques "de forma fria e calculada contra nossas Forças Armadas exigem ações imediatas e urgentes porque quando acontecem, tudo que conseguem é atrapalhar a discussão das conversas de paz".

Prisões. Um chefe guerrilheiro das (Farc) morreu e outros nove foram presos em duas operações realizadas durante a madrugada pelo Exército colombiano. Segundo o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, o rebelde morto era conhecido como "Didier", o segundo na hierarquia da Frente 30 das Farc que opera no departamento de Cauca. 

Na ação, conduzida pela Infantaria da Marinha da Força Naval do Pacífico, também foram presos outros quatro guerrilheiros que faziam a segurança pessoal do líder. Pinzón fez o balanço das ações durante uma visita aos militares que sobreviveram ao ataque das Farc na zona rural do município de Buenos Aires, onde o pelotão descansava durante a noite. Dez soldados morreram na hora do ataque, e um não resistiu aos ferimentos depois de ter sido levado ao hospital da cidade de Cali.

"Não é fácil ver os companheiros morrerem. Por essa razão eles devem ser ainda mais determinados em conseguir esse grande objetivo que é a paz, a segurança e o desenvolvimento dos colombianos", disse Pinzón durante a visita aos militares.

Em outra operação do Exército foi preso o guerrilheiro conhecido como "Leandro", líder da companhia "Libardo Rojas" das Farc, e quatro de seus companheiros. 

Consequências. Segundo o Centro de Recursos para a Análise de Conflitos da Colômbia (Cerac), o ataque em Cauca é o que mais deixou vítimas desde o começo do diálogo de paz. "Essa ação constitui a 11ª violação à trégua imposta pelas Farc. E também a com maior número de vítimas desde o início das negociações para a paz", acrescentou o órgão, que monitora periodicamente a atividade da guerrilha colombiana.

Na avaliação do Cerac, é esperado que as negociações entre as partes sejam suspensas e sofram modificações por causa do incidente. "As Farc atacaram com artefatos explosivos e fuzis soldados da Terceira Divisão do Exército, que estavam em um ginásio se protegendo de uma forte chuva que caía na região."

O ataque foi criticado por todo o país e "gerou um custo muito alto no processo de paz", na opinião do Cerac, especialmente no apoio da população colombiana, que respaldava as Farc desde a decisão de estabelecer o cessar-fogo unilateral e pela redução substancial da violência nos últimos três meses.

"É importante que, neste momento, o governo colombiano pressione a guerrilha na mesa de negociações para que eles interrompam completamente a violência", avalia o órgão, destacando a necessidade da continuidade do diálogo. / EFE e AFP

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaFarcJuan Manuel Santos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.