AFP PHOTO / GUILLERMO LEGARIA
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Congresso colombiano ratifica novo acordo de paz entre governo e Farc

Texto foi aprovado pela Câmara e pelo Senado; Santos diz que guerrilha entregará as armas em 150 dias

O Estado de S. Paulo

30 de novembro de 2016 | 07h25
Atualizado 01 de dezembro de 2016 | 12h44

BOGOTÁ - O Congresso colombianos ratificou na noite de quarta-feira, 30, o acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A Câmara dos Deputados aprovou o texto de forma unânime, embora sem contar com o apoio da oposição. Na noite anterior, o Senado havia tomado a mesma decisão. O presidente Juan Manuel Santos disse que as Farc entregariam as armas em 150 dias a partir do momento em que o acordo fosse ratificado.

Espera-se que o governo apresente ainda nesta quinta-feira, 1º, um projeto de lei para anistiar os guerrilheiros das Farc, algo que será fundamental para este primeiro momento da implementação do acordo. O acordo modificado foi assinado na semana passada entre o presidente e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, mas excluiu mudanças exigidas pela oposição ao governo após o acordo original, assinado no dia 26 de setembro, ser rejeitado em plebiscito no início de outubro.

O novo acordo inclui propostas do grupo liderado pelos aliados do ex-presidente Alvaro Uribe, mas deixa intactas as questões que o guerrilheiros consideraram decisivas: não inclui prisão de guerrilheiros e permite que eles participem na política. O acordo busca encerrar o conflito de 52 anos que já deixou 220 mil mortos e milhões de deslocados.

Opositores do acordo, que conseguiram rejeitar o documento anterior com uma vitória no plebiscito, se levantaram de seus assentos após o encerramento da discussão e estavam ausentes durante a votação.

Os uribistas exigem a prisão dos chefes das Farc por crimes cometidos no conflito, além de se opor à possibilidade de que ex-guerrilheiros que cometeram delitos concorram a cargos eletivos. Uribe, que durante seus dois mandatos como presidente, entre 2002 e 2010, realizou a maior ofensiva contra a guerrilha, disse que o acordo deve ser aprovado por meio de plebiscito, e não pelo Congresso. “Aprovação do acordo por parte do Congresso substitui o mandato popular”, disse.

O debate no Senado foi aberto pelo principal negociador do governo, Humberto de la Calle, e o chefe do Alto Comissariado para a Paz, Sergio Jaramillo, que fizeram um pacto a favor do documento. “Alcançar um acordo com a guerrilha, depois de 50 anos de guerra, é realmente atacar os focos de violência e as condições que a têm promovido, e isso nos garante um fim (da violência), o que é nada menos que um milagre”, disse Jaramillo. / EFE e REUTERS

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