Alex Edelman/AFP
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Senado confirma Antony Blinken como o novo chefe da diplomacia dos EUA 

Novo secretário de Estado obteve 78 votos a favor e 22 contrários, uma maioria muito mais cômoda que seus antecessores republicanos Rex Tillerson e Mike Pompeo (confirmados com 57 e 57 votos favoráveis respectivamente) 

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 15h38
Atualizado 26 de janeiro de 2021 | 17h20

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira, 26, o nome de Antony Blinken - um assessor de política externa de longa data do presidente Joe Biden - como novo secretário de Estado americano. A confirmação ocorre seis dias depois da chegada do democrata à Casa Branca. 

O novo chefe da diplomacia americana obteve 78 votos a favor e 22 contrários, uma maioria muito mais cômoda que seus antecessores republicanos Rex Tillerson e Mike Pompeo (confirmados com 57 e 57 votos favoráveis respectivamente). 

Com o Senado dividido entre 50 cadeiras pra os republicanos e 50 para os democratas e independentes, Blinken conseguiu assim o respaldo de muitos senadores da oposição. 

O líder dos senadores republicanos na Comissão de Assuntos Exteriores, Jim Risch, sublinhou antes da votação seu desacordo com a proposta do presidente Biden e de Blinken de buscar a volta dos EUA ao acordo nuclear iraniano. 

Além dessa questão espinhosa, "nos muitos assuntos que discutimos, houve poucas diferenças, ou nenhuma, entre nós em vários deles", reconheceu Risch, que votou a favor de "Tony" Blinken. "Precisamos de um secretário de Estado. Ele é a pessoa adequada", disse. 

O líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, também disse que Blinken é "a pessoa adequada para reforçar as prerrogativas dos EUA no cenário mundial". "Durante quatro anos, Donald Trump enfraqueceu nossas alianças, encorajou nossos adversários e manchou a reputação dos EUA no exterior. Devemos reafirmar nosso apego à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a outras alianças em todo o mundo", declarou. 

Em sua audiência de confirmação diante dos senadores na semana passada, Blinken prometeu "revitalizar" as alianças que, segundo ele, o ex-presidente republicano abusou, e levar os EUA "para a liderança" após o unilateralismo e a desconexão da diplomacia trumpista. Blinken também obteve a aprovação de muitos republicanos quando admitiu que Trump "teve razão ao adotar uma posição mais forte contra a China". 

Questionado na audiência sobre a situação na Venezuela, Blinken chamou o presidente Nicolás Maduro de "ditador brutal", e disse que apoiava continuar reconhecendo o líder opositor Juan Guaidó como autoridade legítima do país sul-americano.

Entre os aspectos "a considerar" da política com Caracas, ele apontou "uma cooperação de coordenação mais forte com países afins" e uma abordagem "mais efetiva" para as sanções, "para que os facilitadores do regime realmente sintam a dor" das medidas punitivas americanas.

Diplomata de carreira

Enquanto Blinken aguardava a confirmação, Biden e seu conselheiro de segurança nacional, Jake Sullivan, começaram a ligar para parceiros e aliados dos EUA e começaram os movimentos para renovar a adesão dos EUA à Organização Mundial de Saúde (OMS) e ao acordo climático de Paris.

Na semana passada, o governo sinalizou sua intenção de renovar por cinco anos o novo acordo de armas nucleares Start com a Rússia, que expira na próxima semana. Outras questões que aguardam uma ação imediata incluem a promessa de Biden de rever o acordo do governo Trump com o Taleban no Afeganistão, a guerra civil na Etiópia e o aumento das tensões com a China.

Blinken, de 58 anos, é um dos poucos na história a ascender ao cargo de diplomata de alto escalão tendo saído, desde o início, das fileiras do próprio Departamento de Estado. Ele começou lá em 1993 como um especialista europeu antes de ir para o Conselho de Segurança Nacional de Bill Clinton, onde se tornou diretor sênior para assuntos europeus.

Em 2001, com a eleição do governo republicano de George W. Bush, mudou-se para o Senado, onde se tornou diretor da Comissão de Relações Exteriores, do qual o então senador Biden atuou como presidente.

No governo do presidente Barack Obama, ele foi o principal conselheiro de política externa de Biden, e então o vice-conselheiro de segurança nacional do presidente. De 2015 a 2017, foi subsecretário de Estado de John F. Kerry. Em suas várias posições ao longo de décadas em altos cargos da política externa, Blinken ajudou a formular o apoio de Biden à Guerra no Iraque e a proposta de Biden, rejeitada no Senado, de dividir o Iraque em três regiões autônomas.

Retratado na famosa fotografia de Obama e seus conselheiros seniores da equipe de segurança nacional ouvindo em tempo real o ataque militar dos EUA que matou Osama bin Laden, Blinken foi citado como tendo dito que "nunca tinha visto uma decisão mais corajosa tomada por um líder".

Questionado em sua audiência de confirmação no início deste mês se ele apoiava a decisão do ex-presidente Trump de matar o general iraniano Qassim Suleimani com um ataque de drones em janeiro de 2020, no entanto, Blinken disse que o governo não considerou as consequências, incluindo ataques subsequentes às forças dos EUA por iranianos contra as forças aliadas no Iraque.

"Ninguém está derramando uma lágrima pela morte de Qassim Suleimani", disse Blinken. "Mas acho que no geral essa ação nos deixou menos seguros do que mais seguros."

Perfil no Spotfy 

A política externa tem sido uma espécie de tradição familiar para Blinken, cujo pai e tio foram embaixadores dos EUA na Hungria e na Bélgica, respectivamente. Sua mulher, Evan Ryan, foi secretária de Estado assistente de Obama.

“Tive avós, pais, que de uma forma ou de outra eram imigrantes relativamente recentes, ou refugiados ou, no caso do meu padrasto falecido, um sobrevivente do Holocausto”, disse ele em um vídeo publicano no Twitter. "E para eles, a América representava literalmente a última melhor esperança na Terra." 

Suas histórias de fuga da opressão e da violência, para chegar aos Estados Unidos, disse ele, "incutiram em mim uma profunda paixão pelo que a América significa para o mundo, quando estamos agindo da melhor forma. A América, em seu melhor, é o motivo pelo qual estou aqui, por que minha família pôde vir para cá e é algo que espero ajudar a restaurar para as gerações futuras".

Blinken passou a juventude na França, onde seu padrasto, um polonês que escapou de uma marcha da morte nazista depois de quatro anos em um campo de concentração, era advogado. 

Ele é graduado pela Universidade de Harvard e pela Columbia Law School. Além de se interessar pelo jornalismo em vários momentos, Blinken fez parte de várias bandas de rock juvenis. Antes de ser confirmado, disse ele no vídeo do Twitter que seria "o único secretário de Estado com uma lista de músicas do Spotify com parte do seu próprio trabalho", disse ele, se referindo a uma de suas bandas, Ablinken./W. POST e EFE 

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