Joshua Roberts/Pool/AFP
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Senado confirma nome do primeiro imigrante a comandar Segurança Interna dos EUA

Filho de refugiados cubanos, Alejandro Mayorkas chefiará departamento responsável pela imigração nos EUA; Senado também confirma Pete Buttigieg como secretário de Transportes, o primeiro membro do gabinete americano abertamente gay

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 18h45

WASHINGTON - Momentos após confirmar Pete Buttigieg como secretário de Transportes da administração Joe Biden, o primeiro membro abertamente gay de um gabinete americano, o Senado aprovou o nome de Alejandro Mayorkas para comandar a Segurança Interna dos Estados Unidos. É a primeira vez que um latino e imigrante ocupará o cargo, que tem entre suas atribuições os temas de imigração do governo americano.

Como secretário de Segurança Interna, ele supervisionará um departamento de 240 mil funcionários, responsável pela segurança das fronteiras, fiscalização da imigração, segurança cibernética e prontidão e alívio para desastres, entre outras missões.

Mayorkas assume o cargo em um momento delicado. Na semana passada, o departamento emitiu um alerta de ameaça elevada de violência extremista doméstica, inspirada pela invasão do Capitólio em 6 de janeiro. Além disso, nesta terça-feira, 2, o presidente Joe Biden deve emitir ordens executivas para reverter as políticas migratórias do ex-presidente Donald Trump.

Durante suas audiências de confirmação, Mayorkas disse aos legisladores que durante o governo Biden haverá um "compromisso" de cumprir as leis de asilo.

Filho de imigrantes judeus, Mayorkas nasceu em Havana, Cuba, e chegou aos Estados Unidos em 1960, quando tinha cerca de 1 ano, como refugiado. Quando Biden anunciou sua nomeação em novembro, Mayorkas destacou sua história. “Os Estados Unidos forneceram a mim e a minha família um local de refúgio. Agora, fui nomeado secretário do Departamento de Segurança Interna para supervisionar a proteção de todos os americanos e daqueles que fogem da perseguição”, disse.

Mayorkas, de 61 anos, foi o cubano-americano de mais alto escalão no governo Barack Obama, do qual Biden foi vice-presidente. Ele atuou como subsecretário do Departamento de Segurança Interna entre 2013 e 2016. Antes disso, foi Diretor dos Serviços de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) de 2009 a 2013.

Mayorkas foi aprovado por 56 votos a favor e 43 contra, em meio a forte oposição dos republicanos.

Alguns senadores levantaram preocupações sobre a conduta de Mayorkas em relação a um programa de visto para investidores enquanto trabalhava na administração do ex-presidente Barack Obama. Um relatório de 2015 do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna concluiu que Mayorkas interveio em casos envolvendo democratas de alto perfil, dando a impressão de que ele havia concedido tratamento preferencial a essas pessoas e empresas relacionadas.

Buttigieg nos Transportes

O Senado americano confirmou também nesta terça-feira o nome de Pete Buttigieg como secretário de Transportes do governo Biden. Buttigieg, de 39 anos, é ex-prefeito de South Bend, Indiana, e foi pré-candidato democrata à presidência em 2020.

A confirmação, por 86 votos a 13, torna Buttigieg o primeiro secretário de gabinete abertamente gay. Ele também será o membro mais jovem do gabinete de Biden. "Estou honrado e humilde com a votação de hoje no Senado - e pronto para trabalhar", Buttigieg publicou em seu Twitter após a confirmação.

Buttigieg terá a tarefa de promover a ambiciosa agenda do presidente Joe Biden de reconstruir a infraestrutura do país e combater a mudança climática.

Elogiado por Biden por trazer uma "nova voz" ao governo, Buttigieg assume um Departamento de Transportes com 55 mil funcionários e um orçamento de dezenas de bilhões de dólares. Ele prometeu começar a trabalhar rapidamente promovendo a segurança e restaurando a confiança do consumidor nas redes de transporte dos Estados Unidos, visto que companhias aéreas, ônibus, sistemas de metrô da cidade e Amtrak se recuperam das consequências econômicas da pandemia do coronavírus.

Ele deve desempenhar um papel importante na promoção de iniciativas sustentáveis de Biden, ajudando a supervisionar padrões mais rígidos de economia de combustível para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e apoiar o impulso de lançar um plano de infraestrutura e clima de cerca de US$ 2 trilhões (aproximadamente R$ 10 trilhões). Este plano se concentrará na reconstrução de estradas e pontes e na expansão do trânsito em massa com emissão zero, ao mesmo tempo em que impulsiona a infraestrutura de veículos elétricos, incluindo a construção de 500 mil estações de recarga na próxima década.

A confirmação bipartidária de Buttigieg ressaltou o apoio que ele recebeu de legisladores de ambos os partidos. Em sua audiência de confirmação no mês passado, Buttigieg falou de uma “oportunidade geracional” para transformar a infraestrutura. Ele se comprometeu a trabalhar com líderes estaduais, locais e tribais em questões de transporte, enquanto tentava mitigar o efeito que as políticas de transporte historicamente tiveram sobre as comunidades pobres e minoritárias.

“Acredito que uma boa política de transporte pode desempenhar um papel tão importante quanto tornar possível o sonho americano”, disse Buttigieg. “Mas também reconheço que, no pior dos casos, políticas equivocadas e oportunidades perdidas no transporte podem reforçar a desigualdade racial e econômica.”

A confirmação de Buttigieg foi descrita por vários grupos de direitos humanos como um momento simbólico para a comunidade LGBT.

“Essa confirmação rompe uma barreira que já existia há muito tempo; onde a identidade LGBTQ serviu como um impedimento à nomeação ou confirmação no mais alto nível do governo ”, disse Alphonso David, presidente da Human Rights Campaign, um grupo dedicado a promover os interesses da comunidade LGBTQ, em um comunicado. “Que este momento importante para o nosso movimento sirva como um lembrete para cada jovem LGBTQ: Você também pode servir ao seu país em qualquer cargo desde que obtenha as qualificações necessárias.” / AP e NYT

 

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