Senado da Colômbia interrogará general capturado pelas Farc

Militar foi sequestrado à paisana e sem escolta; operação de resgate dele e de mais 4 prisioneiroscomeçou na quinta-feira

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2014 | 02h01

BOGOTÁ - O Senado colombiano cobrará explicações do general Rubén Darío Alzate, preso pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no domingo no Departamento (Estado) de Chocó, assim que o comandante, o mais graduado militar a ser capturado pelo grupo guerrilheiro em 50 anos de conflito, for libertado. Nesta sexta-feira, 21, as operações para a libertação do general e os outros quatro prisioneiros da guerrilha transcorriam em sigilo.

De acordo com o senador Jimmy Chamorro, que preside a Segunda Comissão da Câmara Alta, na quarta-feira será apresentada a proposição. Alzate foi capturado, segundo as autoridades colombianas, quando supervisionava um projeto energético no Rio Atrato, em uma remota região rural de Quibdó, capital de Chocó.

O comandante militar viajava em uma lancha civil, sem uniforme e sem escolta, acompanhado do cabo Jorge Rodríguez e da advogada Gloria Urrego, que também foram aprisionados, no momento em que o trio havia desembarcado na margem do rio. Um soldado que conduzia a embarcação conseguiu fugir.

A captura fez com que o presidente Juan Manuel Santos suspendesse as negociações de paz entre Bogotá e as Farc - que começaram há dois anos em Havana.

No dia 9, os soldados César Rivera e Jonathan Díaz foram capturados no Departamento de Arauca - e também deveriam ser libertados pelas operações em curso nesta sexta-feira.

O parlamentar - do governista e direitista Partido Social de Unidade Nacional, liderado pelo presidente colombiano - quer saber por que o comandante quebrou o protocolo de segurança, circulando à paisana e sem escolta pela região em que foi capturado. Além das Farc, atuam na zona o grupo guerrilheiro guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN) e a quadrilha de traficantes "Clã Úsuga", formada por paramilitares de extrema direita desmobilizados entre 2003 e 2006.

O senador José Obdulio Gaviria, do partido opositor Centro Democrático, qualificou de "ridícula" a convocação do general para depor, pois Alzate "é vítima das Farc" e estava "cumprindo ordens". Juntamente com Alzate, autoridades do Ministério da Defesa deverão ser convocadas para explicar aos parlamentares as circunstâncias da captura do comandante - que suscitaram suspeitas sobre a atividade do militar.

Mau tempo. As autoridades colombianas afirmaram nesta sexta-feira que o clima chuvoso nas regiões em que os prisioneiros seriam libertados poderia atrasar as operações de resgate. "É altamente provável que se apresente nebulosidade que possa dificultar a navegação aérea", disse o chefe de serviços e prognósticos do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais, Christian Uscátegui. / EFE e AP

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