Edgard Garrido/REUTERS
Edgard Garrido/REUTERS

Senado do Chile rejeita impeachment de Piñera

Presidente é investigado por revelações da investigação jornalística internacional Pandora Papers

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 21h19

SANTIAGO - O Senado do Chile votou nesta terça-feira, 16, contra a remoção do presidente Sebastian Piñera do cargo, encerrando um processo de impeachment que havia sido aprovado em na Câmara dos Deputados na semana passada. A sessão aconteceu apenas cinco dias antes das eleições presidenciais chilenas. 

A oposição precisava de uma maioria de dois terços -- ou seja, 29 dos 43 votos da Casa -- para destituir o presidente, mas tinha 24. O impeachment só seria possível se cinco senadores do partido de centro-direita votassem a favor do processo, o que era considerado improvável. Embora a votação ainda não tenha sido concluída, 15 dos 19 legisladores governistas já votaram, impossibilitando a vitória da oposição.

Piñera está proibido de deixar o Chile. Quando a rejeição do impeachment for formalizada, ele poderá viajar normalmente.

A denúncia foi apresentada em outubro, após a investigação jornalística internacional Pandora Papers revelar um contrato de venda de um negócio mineiro e portuário dos filhos de Piñera. O documento, de dezembro de 2010, condicionava um dos pagamentos a que a zona em que a empresa seria instalada não fosse declarada de exclusão, parque ou reserva nacional. Quatro meses antes, Piñera realocou uma usina termelétrica que seria construída no mesmo local.

Pelos mesmos fatos, o Ministério Público do Chile abriu uma investigação criminal para investigar se as revelações dos Pandora Papers "poderiam indicar crimes relacionados a suborno ou infrações fiscais."

O voto que selou a queda do impeachment contra Piñera foi da senadora conservadora Luz Ebensperger, que rejeitou as duas denúncias. A senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente socialista Salvador Allende, derrubado pelos militares em 1973, foi a oitava a falar no plenário e apoiou as duas posições, após afirmar que "presidentes devem terminar seus mandatos, mas este é um caso diferente."

Este é o segundo julgamento que Piñera enfrenta durante seu segundo mandato (2018-2022). O primeiro, do final de 2019, não seguiu adiante por não cumprir os requisitos necessários, segundo a maioria dos deputados. /AP e REUTERS

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