Senado do Paraguai veta a Venezuela no Mercosul

O Senado do Paraguai rechaçou nesta quinta-feira, por ampla maioria, o ingresso da Venezuela no Mercosul, pedido que foi feito em 2006 pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. No Senado de 45 cadeiras, 31 senadores votaram contra a adesão da Venezuela, três votaram a favor e 11 não compareceram à sessão. A Rádio Nacional do Paraguai transmitiu ao vivo a votação. De acordo com o regulamento, a decisão não poderá ser revisada ou modificada, o que significa que a Venezuela nunca poderá fazer parte do Mercosul com a aprovação paraguaia, disse o presidente do Senado, Jorge Oviedo.

AE, Agência Estado

23 de agosto de 2012 | 14h42

A cúpula de presidentes dos países do Mercosul que aconteceu em 29 de junho, na cidade argentina de Mendoza, autorizou a incorporação da Venezuela ao Mercosul, mas previamente suspendeu o Paraguai do bloco, por causa da destituição do ex-presidente Fernando Lugo, afastado em processo recorde no Senado do Paraguai em 22 de junho.

A suspensão do Paraguai do bloco foi política e não econômica, mas irritou os partidos Liberal e Colorado, de centro-direita e direita, que atualmente controlam o Senado paraguaio e também a presidência, após o impeachment de Lugo. Na semana passada, o presidente do Paraguai, Federico Franco, do Partido Liberal, chegou a propor um referendo para que a população paraguaia decida se o país quer continuar ou sair do Mercosul. As eleições presidenciais foram confirmadas para abril de 2013 e Lugo afirmou que não tentará concorrer.

Miguel Carrizosa, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado paraguaio, propôs que a adesão da Venezuela fosse bloqueada, ao argumentar que foi "violado o artigo 20 do Tratado de Assunção, que criou o Mercosul (em 1991). Ele estabelece claramente que a adesão de outro país ao bloco aduaneiro deve ser feito por unanimidade entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Na reunião de Mendoza, em 29 de junho, o Paraguai estava ausente", disse.

Já o senador Carlos Filizzola, do partido País Solidário, que apoiava Lugo e agora está na oposição, defendeu a presença da Venezuela no Mercosul "porque é um país democrático. Se a Venezuela não fosse democrática, não seria um membro pleno da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de outras organizações internacionais".

As informações são da Associated Press.

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