Senado dos EUA aprova novo acordo de armas

Resultado traz alívio a Obama, que considera o Start, pacto de restrição de arsenais nucleares com a Rússia, um dos pilares da política de segurança

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

Depois da derrota nas urnas nas eleições de meio de mandato em novembro, o presidente dos EUA, Barack Obama, conseguiu ontem sua terceira vitória no Congresso ao ver aprovado no Senado o Tratado de Restrição de Arsenais Nucleares com a Rússia, o Novo Start. O resultado trouxe um alívio para a Casa Branca, que trata o Novo Start como um dos pilares da política de segurança e como prioridade da sua agenda internacional.

A margem de votos favoráveis foi mais expressiva do que a imaginada pela Casa Branca - 71 votos a favor, dos quais 13 da oposição republicana, e apenas 26 contra. "Com esse tratado, nós daremos uma mensagem para o Irã e a Coreia do Norte, de que a comunidade internacional continua unida para restringir as ambições nucleares de países que atuam fora da lei", afirmou o democrata John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, antes do início da votação.

Assinado em abril por Obama e o presidente russo, Dmitri Medvedev, o Novo Start marcou o "recomeço" das relações bilaterais e o fim da corrida nuclear dominante no período da Guerra Fria.

O acordo impõe um limite ao estoque de ogivas nucleares dos dois países, de 1.550 unidades, e tetos para os arsenais de lançadores de mísseis balísticos e de bombas equipadas com explosivo nuclear. Também cria um novo regime de inspeção dos arsenais americano e russo e um mecanismo bilateral de consultas permanentes. O acordo servirá ainda como base para a Rússia participar do programa de defesa antiaérea da Europa.

A negociação envolveu outros objetivos estratégicos de ambos os lados, como o compromisso da Rússia de votar em favor das sanções contra Teerã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em maio. Moscou também permitiu o transporte de materiais e armamento americanos, por território russo, para as tropas dos EUA no Afeganistão. Mas ganhou o apoio americano a seu ingresso na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Bipartidarismo. Obama elogiou a "temporada de progressos" bipartidários e prometeu que manterá a colaboração com os republicanos na segunda metade de seu mandato. Contrários ao acordo, os republicanos foram cedendo na medida em que seus argumentos foram postos em xeque por ícones do próprio partido.

Obama ressaltou que a ratificação do acordo Start permitirá que inspetores americanos "entrem outra vez no terreno" da Rússia. "Dessa forma, poderemos confiar e verificar", afirmou, citando o ex-presidente republicano Ronald Reagan, em mais um gesto bipartidário. A partir de janeiro, Obama governará sem maioria na Câmara, e com uma tímida vantagem no Senado.

A aprovação deu a Obama sua terceira vitória no período de votação de pendências do Congresso no final de seu mandato. Ontem, o presidente americano assinou a lei que permitirá o acesso de homossexuais às Forças Armadas (mais informações no box). Na semana passada, sancionou o pacote tributário de US$ 851 bilhões para dar impulso à economia dos EUA. Com a conclusão das votações no Congresso, Obama seguirá com a família para o Havaí, onde passará o Natal.

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