Senado dos EUA aprova Panetta como novo secretário da Defesa

Atual diretor da CIA assume o cargo com o desafio de retirar as tropas americanas do Afeganistão.

Alessandra Corrêa, BBC

21 de junho de 2011 | 19h57

O Senado americano aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, a indicação de Leon Panetta para o posto de secretário da Defesa dos Estados Unidos.

Atual diretor da CIA (a central de inteligência americana), Panetta foi escolhido pelo presidente Barack Obama no final de abril para substituir Robert Gates no comando do Pentágono.

Gates, que ocupava o cargo desde 2006, ainda durante o governo de George W. Bush, deixa o Departamento de Defesa no fim do mês, para se aposentar.

O nome de Panetta, de 72 anos, foi aprovado por todos os cem membros do Senado, que elogiaram sua atuação no comando da CIA, período no qual os Estados Unidos conseguiram capturar e matar o líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden - morto no início de maio em uma operação militar americana no Paquistão.

Panetta deverá assumir o novo cargo em 1º de julho e será substituído na CIA pelo general David Petraeus, comandante da Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf, na sigla em inglês), responsável pelas operações de guerra no Afeganistão.

Afeganistão

O novo secretário assume em um momento em que os Estados Unidos preparam a retirada de suas tropas do Afeganistão, prevista para começar no próximo mês.

Em um aguardado discurso, programado para a noite desta quarta-feira, Obama deverá apresentar os detalhes da retirada.

Depois de 10 anos de envolvimento militar no Afeganistão, e especialmente após a morte de Bin Laden, tem aumentado a pressão dentro dos Estados Unidos para a retirada das tropas.

O plano do governo americano é transferir gradualmente, até 2014, as ações de segurança para as forças afegãs, mas Obama já avisou que o ritmo vai depender das condições no Afeganistão.

Panetta já declarou que apoia a saída de um grande número de tropas a partir do próximo mês, em uma posição diferente da expressada por Gates, contrário a uma retirada muito rápida.

Na sabatina no Senado, porém, Panetta fez questão de ressaltar seu alinhamento com as ideias do antecessor.

Desafios

Além do início da retirada do Afeganistão, o novo secretário da Defesa terá outros desafios pela frente, especialmente relacionados ao orçamento da pasta, que deverá sofrer cortes em um momento em que o país enfrenta deficit recorde.

Panetta terá também de implementar uma nova política relacionada à presença de gays nas Forças Armadas, com o fim da proibição de que homossexuais assumam abertamente sua orientação sexual.

O secretário terá ainda de lidar com a crescente insatisfação no Congresso a respeito do envolvimento militar americano na Líbia, onde os Estados Unidos participam de uma coalizão internacional liderada pela Otan e aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.

A Casa Branca afirma que a ação é legal, mas muitos parlamentares dizem que o presidente deveria ter pedido autorização ao Congresso para uma operação que já dura mais de três meses e deverá custar US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 1,75 bilhão) aos cofres americanos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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