Al Drago / The New York Times
Al Drago / The New York Times

Senado dos EUA aprova projeto de lei para evitar paralisação do governo; Trump se nega a assinar

Legislação não inclui os US$ 5 bilhões para construção de um muro de fronteira com o México que o presidente americano tem exigido

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 02h22
Atualizado 20 de dezembro de 2018 | 16h57

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira 19 uma legislação para financiar diversas agências federais até 8 de fevereiro e evitar uma paralisação parcial do governo, mas não incluiu os US$ 5 bilhões para a construção de um muro na fronteira com o México que o presidente americano, Donald Trump, tem exigido. Na manhã desta quinta, 20, ele criticou os democratas novamente por não apoiarem a obra e disse que não sancionará nenhuma lei que não inclua o principal item de sua agenda.

Mais tarde, Trump reiterou, durante uma reunião de emergência em seu gabinete com deputados republicanos, que não assinará nenhum pacote orçamentário para evitar a paralisação do governo se a questão do muro não estiver contemplada. A informação foi confirmada pelo republicano Paul Ryan.

“Os democratas, que sabem que as grades de metal (muro) são necessárias para a segurança de fronteira, estão colocando a política acima do país. O que eles estão apenas começando a entender é que eu não vou sancionar nenhuma legislação deles, incluindo infraestrutura, a menos que tenha perfeita segurança de fronteira. EUA vencem”, escreveu o republicano em sua conta no Twitter pela manhã.

Por votação oral, o Senado aprovou a medida e a enviou à Câmara dos Deputados, onde precisa ser aprovada antes da meia-noite desta sexta-feira, quando acaba o financiamento atual de diversas agências federais, incluindo do Departamento de Segurança Interna.

De acordo com o projeto de lei, os gastos permanecerão no mesmo nível para cerca de 25% dos programas geridos por Washington. Se aprovado pela Câmara e sancionado por Trump, o texto forçará os novos integrantes do Congresso a começarem 2019 enfrentando outra disputa sobre orçamento e segurança de fronteira.

Ao adiar decisões de longo prazo sobre gastos de agências que também incluem os Departamentos de Justiça, Comércio, Interior e Agricultura, os democratas estarão, de certa forma, em uma posição mais forte para negociar no próximo ano, quando assumirem a maioria da Câmara dos Deputados.

Democratas e muitos republicanos têm questionado o sentido de dar a Trump US$ 5 bilhões este ano para construir o muro - que custaria US$ 24 bilhões - e argumentam ser menos eficaz para proteger a fronteira do que o uso de uma série de ferramentas já disponíveis.

Na terça-feira, a Casa Branca disse que buscará fundos governamentais apropriados para direcionar à construção do muro, já que o Congresso não estava cooperando com seu pedido por recursos.

O texto reconheceu que o Congresso provavelmente não financiaria o muro e marcou uma mudança na retórica dura assumida por Trump na semana passada, quando o presidente afirmou que teria “orgulho” em paralisar o governo em razão do financiamento do muro. / REUTERS, WASHINGTON POST e AP

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