Omar Sobhani/Reuters
Omar Sobhani/Reuters

Senado dos EUA aprova saída acelerada do Afeganistão

Obama tem 90 dias para apresentar novo cronograma para a retirada dos 100 mil soldados no país

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2011 | 03h03

WASHINGTON - Sem alardes, o Senado dos EUA aprovou na noite de quarta-feira a retirada das tropas americanas do Afeganistão antes do prazo final definido pela Casa Branca, de dezembro de 2014. Não chegou a definir um novo calendário, mas determinou ao presidente dos EUA, Barack Obama, que entregue em até 90 dias uma nova programação para acelerar a transferência da responsabilidade pela segurança do país às autoridades afegãs.

A iniciativa de acelerar a retirada dos 100 mil militares americanos em ação no Afeganistão partiu do senador Jeff Merkley, democrata como Obama. "É hora de trazer nossos homens e mulheres para casa. O Senado dos EUA envia esta mensagem ao presidente em termos inequívocos", completou.

A Casa Branca preferiu não reagir ontem à ação do Senado - e de sua bancada aliada na Casa. A programação anterior, divulgada em junho passado, previa o início da retirada neste mês, com a partida de 10 mil soldados. Outros 23 mil seriam removidos até setembro de 2012. Os demais seriam gradualmente transferidos do Afeganistão até 2014. Esses planos, entretanto, contrariaram os setores militares, preocupados com o avanço de grupos insurgentes apoiados pela Al-Qaeda e outras organizações extremistas.

De acordo com a resolução, aprovada com unanimidade em votação oral, a Casa Branca deverá consultar os comandantes militares, as missões diplomáticas na região e o seu gabinete e os membros do Congresso para formular seu novo calendário. Desde o início do ano, projetos aprovados com apoio dos dois partidos - republicano e democrata - têm sido raros.

Há meses, ambas legendas têm sido críticas à permanência das tropas no Afeganistão, aonde estão em combate há dez anos, e reclamado dessa "guerra sem fim". O conflito já custou 1.695 vidas de militares americanos e o desembolso de mais de US$ 480 bilhões. Em função do ajuste nas contas públicas nos próximos dez anos, o Departamento de Defesa será compelido a um corte de US$ 1.050 trilhões entre 2012 e 2023. Os planos traçados pela Casa Branca para a retirada das tropas até o final de 2014 respondiam a uma redução bem mais modesta dessa despesa federal, de US$ 450 milhões nos próximos dez anos.

Novo golpe. Ontem, em uma nova afronta à Casa Branca, o senado aprovou um projeto pelo qual os suspeitos de atividades terroristas poderão ser mantidos em prisão por tempo indefinido. O Senado rejeitou a proposta do Comitê de Inteligência de limitar o período de custódia do suspeito e passou por cima da ameaça de veto presidencial. Nessa casa do Congresso, onde o partido democrata tem a maioria das cadeiras, a votação terminou com 55 votos favoráveis ao projeto e 45 contrários.

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