Nicholas Kamm / AFP
Nicholas Kamm / AFP

Senado dos EUA convoca filho de Trump a testemunhar sobre ligação da Rússia com eleições de 2016

Essa é a primeira vez que o Congresso americano emite uma citação judicial contra um filho do presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 04h00

WASHINGTON - O Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos emitiu uma citação judicial para forçar Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente americano, a testemunhar sobre seus contatos com a Rússia. A ordem chega em meio a suspeitas de que ele poderia ter mentido aos legisladores sobre esse assunto, segundo informaram nesta quarta-feira, 08, vários meios de comunicação.

A citação judicial é a primeira que o Congresso dos EUA emite contra um filho do presidente americano, e confirma que o órgão legislativo mantém aberta sua investigação sobre a suposta ingerência russa nas eleições de 2016, um mês e meio depois que o promotor especial Robert Mueller concluiu sua própria averiguação.

O comitê, de maioria republicana, quer que Donald Trump Jr. volte a testemunhar diante deles, a portas fechadas, sobre as circunstâncias que rodearam o encontro que teve com a advogada russa Natalia Veselnitskaya, em 9 de junho de 2016, na Trump Tower de Nova York.

A oposição democrata acredita que, nas suas conversas anteriores com o Congresso, o filho do presidente pode ter mentido aos legisladores sobre se informou ou não a Trump que compareceria a essa reunião, de acordo com o jornal "The Washington Post".

O encontro na Trump Tower - do qual também participaram o genro do agora presidente, Jared Kushner, e seu então chefe de campanha, Paul Manafort - foi o foco de parte da investigação de Mueller, mas o promotor concluiu que não havia provas de que a campanha republicana tivesse colaborado com a Rússia na sua suposta ingerência eleitoral.

O relatório de Mueller indica, no entanto, que Michael Cohen, que durante a campanha de 2016 foi advogado pessoal de Trump, assegura que esteve em uma reunião na qual Donald Jr. disse ao seu pai que pretendia ir a um encontro "para obter informação desfavorável sobre (Hillary) Clinton", a então candidata democrata.

"Pelo tom da conversa, Cohen pensou que Trump Jr. já tinha conversado antes sobre o encontro com seu pai", afirma a versão liberada do relatório de Mueller.

Esse testemunho de Cohen intrigou o comitê liderado pelo senador republicano Richard Burr, porque entra em contradição com o testemunho que Donald Jr. lhes deu em 2017, de acordo com o "Post" e o "The New York Times".

Burr está há várias semanas tentando programar uma sessão a portas fechadas com o filho mais velho de Trump, que agora se encarrega junto com seu irmão Eric de dirigir o conglomerado empresarial da Trump Organization, em Nova York.

Finalmente, o senador republicano decidiu convocar judicialmente Donald Jr., que está "exasperado" por essa medida porque já tinha se oferecido "para continuar cooperando por escrito" com o comitê, segundo indicou ao "Post" uma fonte próxima ao filho de Trump.

O Comitê de Inteligência do Senado está pedindo a várias testemunhas que voltem a falar diante dos legisladores à medida que avança na sua investigação e em março, por exemplo, voltou a interrogar Kushner. / EFE

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