Senado dos EUA exige transparência sobre escândalo

Líderes democratas e republicanos do Senado dos Estados Unidos exigiram neste domingo, 25, transparência do governo sobre a demissão de oito procuradores federais em 2006, enquanto aumentam as pressões para a renúncia do secretário de Justiça Alberto Gonzales.Vários senadores e dois dos oito procuradores demitidos pelo Departamento de Justiça recorreram à televisão americana para tentar divulgar um escândalo que destrói a confiança pública na classe política e ameaça a permanência de Gonzales no cargo.O escândalo traz à tona assuntos ligados à ética, uma possível obstrução de justiça e a independência do sistema jurídico dos EUA.Além disso, a situação evidencia outro problema para o governo do presidente George W. Bush, abalado pelas críticas do Congresso sobre o rumo da Guerra do Iraque.Tanto democratas como republicanos exigem respostas claras, ou pelo menos uma solução negociada, para determinar se houve motivações políticas por trás das demissões ocorridas em dezembro de 2006.Entre os parlamentares que hoje criticaram Gonzales está o senador Arlen Specter, o principal republicano no Comitê Judicial do Senado e conhecido pelos seus questionamentos incisivos."Caso determinemos que (Gonzales) não foi franco, nem sincero, esta seria uma razão muito convincente para que ele não permaneça (no cargo)", disse Specter à emissora americana "CNN".O senador acrescentou que o comparecimento de Gonzales ao Comitê, no dia 17 de abril, será um momento decisivo, pois o secretário "tem que dar muitas explicações".Já o presidente do Comitê Judicial, Patrick Leahy, disse à emissora "CBS" que o comparecimento do chefe de pessoal de Gonzales na última quinta, Kyle Sampson - que renunciou em meio ao escândalo -, ajudará a esclarecer "exatamente o que aconteceu".Já o senador republicano Charles Hagel também disse que as contradições só aumentam as suspeitas de que o governo tem algo a ocultar."A confiança é ´moeda corrente´ no governo e sem ela não se pode governar, por isto Gonzales vai ter algumas dificuldades", declarou Hagel em um programa da rede "ABC".A senadora democrata Dianne Feinstein também se uniu à lista de legisladores dos dois partidos que pedem a cabeça de Gonzales."Acho que ele (Gonzales) deve renunciar. Acho que temos que chegar ao fundo da causa das demissões, quem as ordenou e qual foi a estratégia", declarou Feinstein em um programa da Fox.Gonzales está na mira do Congresso, pois vários documentos divulgados pelo Departamento de Justiça parecem desmentir suas declarações sobre seu papel na demissão dos procuradores.O secretário de Justiça disse que não participou "de nenhuma discussão" sobre as demissões, mas os documentos indicam que, em 27 de novembro de 2006, Gonzales discutiu o assunto em detalhe.Os documentos, na maioria e-mails, também evidenciam o papel de altos funcionários da Casa Branca nas discussões.Dois dos procuradores envolvidos, John McKay, de Seattle (Washington), e David Iglesias, de Albuquerque (Novo México), reiteraram em uma entrevista exclusiva com a rede "NBC", que foram demitidos por não cederem a pressões políticas em várias investigações."As razões defendidas pelo Departamento de Justiça para a minha demissão continuam mudando", afirmou McKay.Iglesias comentou que o incidente "é perturbador, pois os procuradores dos EUA têm uma trajetória, ao longo de diversos governos, de serem independentes".Por outro lado, a Casa Branca defende Gonzales, argumentando que os procuradores, nomeados por um período de quatro anos, foram demitidos pelo mau desempenho profissional.Os democratas rejeitaram a oferta da Casa Branca para que o assessor político de Bush, Karl Rove, e a ex-assessora legal, Harriet Miers, dêem declarações fora de juízo, sem juramento e sem taquígrafos.O escândalo poderia desembocar em uma crise constitucional, pois, apesar de Bush defender argumentos de "privilégio executivo" para consultar os assessores em particular, o Congresso tem a obrigação de supervisionar o Executivo.Segundo a lei, os procuradores estão "a serviço" do presidente, e despedir ou substituí-los não constitui um crime.Agora, os congressistas querem saber se Gonzales ou seu assessores mentiram sobre as demissões, algo que se for confirmado, os colocaria em apertos legais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.