Senado dos EUA propõe pressionar Venezuela com envio de US$ 58 milhões

Senado dos EUA propõe pressionar Venezuela com envio de US$ 58 milhões

Senadores republicanos e democratas apresentam projeto de lei para isolar ainda mais o regime chavista

O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2018 | 20h35

WASHINGTON - Um novo projeto de lei abrangente para lidar com a crise na Venezuela foi apresentado nesta segunda-feira, 24, no Senado dos EUA por senadores democratas e republicanos, na tentativa de aumentar a pressão “política, econômica e diplomática” contra o governo de Nicolás Maduro. A ideia é forçar o governo de Donald Trump a isolar ainda mais o regime chavista. 

Os dois principais pontos do projeto são o aumento as sanções para “agentes do governo venezuelano” e o envio de US$ 40 milhões para assistência humanitária. Deste dinheiro, US$ 20 milhões iriam para a crise interna e outros US$ 20 milhões para os países vizinhos, diante dos “desafios do crescimento da migração venezuelana”. 

O projeto também concede US$ 14,5 milhões para “apoiar a sociedade civil democrática” na Venezuela e outros US$ 500 mil para a observação internacional de eleições democráticas. Não está claro como esse dinheiro seria dividido ou quanto poderia ser enviado ao Brasil.

A proposta é a ação mais abrangente sobre a Venezuela já adotada pelo Congresso americano e está sendo comparada à Lei Helms-Burton, sancionada pelo presidente Bill Clinton, em 1996, logo depois que Cuba derrubou dois aviões civis americanos. A lei direcionou dezenas de milhões de dólares para reformas democráticas na ilha.

O abrangente plano da Venezuela inclui novas sanções financeiras contra o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro e o aumento da pressão diplomática sobre os aliados regionais para também tomarem medidas.

A proposta é capitaneada pelos senadores democratas Bob Menendez, Bill Nelson, Dick Durbin e Ben Cardin, juntamente com os republicanos Marco Rubio, John Cornyn e David Perdue. Sua implementação depende de aprovação das duas Casas. 

“À medida que milhões de pessoas fogem da repressão, da fome e da miséria, o regime criminoso de Nicolás Maduro transformou a Venezuela em um Estado falido, com implicações em toda a região”, disse o senador Bob Menendez. “Com a catástrofe humanitária da Venezuela crescendo diariamente, Maduro trai as necessidades mais urgentes de seus cidadãos, enquanto seu círculo de pessoas próximas saqueia os cofres públicos e lucra com o tráfico de drogas.”

Rubio disse que “é vital para os Estados Unidos e seus parceiros fornecer ajuda humanitária direta ao povo venezuelano” e ressaltou a natureza bipartidária da lei, cujo objetivo é “garantir que tanto o governo dos EUA quanto seus aliados estejam prontos para ajudar a restaurar o estado de direito na Venezuela”.

“Esta legislação não vai tão fundo quanto o projeto Helms-Burton, mas é similar a ele”, afirmou Frank Mora, ex-subsecretário de Defesa para a América Latina e diretor do Centro Kimberly Green para a América Latina e Caribe, da Universidade Internacional da Flórida. “O Congresso pode fazer este tipo de esforço quando sente que o Executivo não está fazendo o suficiente para ir além e oferecer algo muito mais abrangente e ambicioso.”

Intervenção

O tema da intervenção militar voltou ontem a ser discutido por um ex-assessor de Trump. O uso de força americanas “não é a solução ideal, mas deve estar na mesa como opção”, segundo Fernando Cutz, ex-conselheiro de América do Sul do Conselho de Segurança da Casa Branca.

“Não estou dizendo que a intervenção militar internacional é ideal, mas não vejo outra saída, além de tirar Maduro pela força”, disse Cutz ontem, em uma conferência no centro de estudos Wilson Center, em Washington. “A pergunta é como fazer isso. Maduro não vai embora, porque não se importa que as pessoas estejam morrendo de fome e fugindo do país, nem com o enorme problema criado para Colômbia, Peru e Brasil”, disse Cutz. / EFE 

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