Senado dos EUA vai investigar ligações entre Enron e Bush

O chairman da Comissão de Comércio do Senado dos EUA, Ernest Hollings (Partido Democrata, do Estado da Carolina do Sul), requisitou um procurador especial para investigar o que ele chamou de ?cultura de corrupção governamental" em torno da influência da Enron Corp. sobre a adminstração do presidente George Bush.Hollings classificou as ligações extensas entre representantes do governo Bush e a Enron como exemplo de um governo "pague e leve". Entre as pessoas citadas por Hollings por suposto envolvimento com a Enron estão Lawrence Lindsey, consultor de economia da Casa Branca; Mitch Daniels, chefe do Escritório de Gerenciamento e Orçamento da Casa Branca; Robert Zoellick, representante de Comércio; Thomas White, secretário do Exército; e Harvey Pitt, chairman da SEC (comissão de valores mobiliários dos EUA) que, enquanto atuou como advogado do setor privado, representou a firma auditora Arthur Andersen, auditora externa da Enron.Hollings também citou o chairman da Comissão Federal Reguladora de Energia dos EUA, Pat Wood III, como "o homem da Enron", além do lobista da Enron, Marc Racicot, chairman da Comissão Nacional Republicana. Racicot já foi governador do Estado de Montana. Hollings também mencionou a força-tarefa de políticas energéticas, encabeçada pelo vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, como um exemplo da influência da empresa concordatária na adminstração. Segundo Hollings, Cheney e outros representantes oficiais do governo fizeram lobby em nome da Enron em Estados como a Califórnia.A Comissão do Comércio do Senado deve aprovar nesta terça-feira uma intimação para obrigar o ex-executivo-chefe da Enron Kenneth Lay a prestar depoimento. Ele compareceria a uma audiência nesta segunda, mas horas antes anunciou que não iria, alegando que os congressistas já estavam com idéias preconcebidas sobre sua culpa. Nesta segunda-feira à noite, Lay renunciou ao cargo de membro da diretoria da Enron, dizendo que pretende preservar a empresa. No mês passado, ele já tinha deixado o posto de executivo-chefe.

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