AP Photo/Manuel Balce Ceneta
AP Photo/Manuel Balce Ceneta

Senado estende prazo para mulher decidir se vai depor contra juiz acusado de abuso sexual nos EUA

Acadêmica deveria responder até esta sexta-feira se iria testemunhar em audiência na próxima semana e quando isso ocorreria, mas presidente do Comitê Judiciário ampliou prazo para este sábado

O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2018 | 02h05
Atualizado 22 Setembro 2018 | 04h14

WASHINGTON - O presidente do Comitê Judiciário do Senado americano, o republicano Chuck Grassley, estendeu até às 14h30 deste sábado o prazo para a professora universitária Christine Blasey Ford decidir se quer depor perante os parlamentes no processo de nomeação do juiz Brett Kavanaugh à Suprema Corte do país. Ela acusa o magistrado de ter abusado sexualmente dela em uma festa há trinta anos. Ele nega.

Na sexta, a docente informou, por meio de advogados, que deseja depor em uma audiência no Senado desde que fossem cumpridas medidas "justas" e que garantissem sua segurança. Ela diz ter recebido ameaças de morte desde o último domingo, 16, quando tornou o caso público. Christine também disse que não compareceria à sessão de segunda-feira, 24, e ainda exige uma investigação do FBI contra Kavanaugh.

A audiência de segunda era a data definida pelo Senado para a professora falar sobre o caso e sua presença na sessão deveria ser informada até esta sexta-feira. Republicanos haviam indicado que não dariam uma segunda oportunidade para a docente caso ela decidisse adiar o depoimento. No início da madrugada deste sábado, o presidente do Comitê Judiciário, Chuck Grassley, mudou de ideia e informou que concederia mais tempo para Christine.

 

"Juiz Kavanaugh, eu garanti mais uma extensão do prazo para a Dra. Ford decidir se deseja prosseguir com a declaração feita na última semana que gostaria de falar no Senado", escreveu Grassley, no Twitter. "Ela precisa decidir para seguirmos em frente. Eu quero escutá-la. Espero que entenda. Não é da minha postura ser indeciso."

Segundo o The New York Times, que obteve uma cópia do e-mail enviado por Grassley aos advogados de Christine, a acadêmica terá até às 14h30 deste sábado para decidir se e quando irá depor no Senado. Mais cedo, o presidente do comitê havia dito que votaria a indicação de Kavanaugh para a Suprema Corte na sessão de segunda-feira caso a professora não tomasse uma decisão.

Na sexta, a defesa de Christine classificou como "arbitrária" a tentativa de forçar sua presença na audiência de segunda-feira. 

A decisão pode adiar ainda mais o processo de indicação de Kavanaugh, juiz conservador escolhido por Trump para a Suprema Corte. A nomeação do magistrado estava prevista para esta quinta-feira, 20, mas foi adiada após a revelação do caso de abuso sexual. Até a denúncia, Kavanaugh parecia encaminhado para o cargo e sua chegada colocaria juízes progressistas em uma minoria por muitos anos. O escândalo, no entanto, atrasou o processo, que, caso se prolongue demais, também poderá ser afetado pelos resultados das eleições legislativas de novembro.

No último domingo, a acadêmica especialista em psicologia Christine Blasey Ford, de 51 anos, relatou ao The Washington Post que Kavanaugh, de 53 anos, a agrediu sexualmente durante uma festa no início da década de 1980. Ele nega as acusações. //REUTERS, THE NEW YORK TIMES

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