AFP PHOTO / TIZIANA FABI
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Renzi deixa vago cargo de premiê italiano

Parlamento aprova a lei orçamentária para 2017, destravando a pauta para reforma eleitoral; consulta para escolha de nome técnico começa

Andrei Netto - Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

07 Dezembro 2016 | 13h02

A Itália deixou, nesta quarta-feira, 7, de ter primeiro-ministro. Interino desde a madrugada de domingo, quando anunciou que renunciou ao cargo, Matteo Renzi confirmou sua decisão, entregando ao presidente italiano, Sergio Mattarella, a missão de nomear um governo técnico ou convocar novas eleições. 

 A saída de cena do líder do Partido Democrático (PD) foi possível porque o Parlamento aprovou hoje a lei orçamentária de 2017, destravando a pauta legislativa para a votação de uma reforma eleitoral, primeiro passo para o retorno dos italianos às urnas. 

A crise política no país teve início no domingo, quando 60% dos eleitores votaram contra um projeto de reforma constitucional proposto por Renzi. Derrotado, mas ainda com 40% de apoio e na liderança do maior partido da Câmara dos Deputados (300 deputados de um total de 630) e do Senado (114 senadores, de um total de 315), o agora ex-primeiro-ministro manobra para obter a antecipação das eleições, hoje programadas para fevereiro de 2018, para tentar retornar ao Palácio de Chigi, sede do poder.

Segundo jornais italianos como Corriere della Sera, sua estratégia passaria primeiro pela aprovação da lei orçamentária e a seguir pela demissão do cargo. Ao término do encontro, Mattarella divulgou um comunicado no qual disse se reservar o direito de decidir e convidar o governo a permanecer em função para assuntos correntes, se for o caso. “Caberá ao Parlamento decidir o que fazer”, completou o presidente.

O chefe de Estado afirmou ainda que prefere que uma nova reforma da legislação eleitoral seja aprovada pelo Parlamento – a reforma anterior, de 2015, foi considerada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional – antes que um novo pleito seja convocado.

Antes de tomar a decisão, entretanto, o chefe de Estado iniciará uma rodada de consultas com os partidos políticos nessa quinta-feira para decidir se nomeia um primeiro-ministro técnico, que na prática faria um governo interino. 

Os nomes mais evocados são o do ministro da Economia, Pier Carlo Padoan, e o do presidente do Senado, Pietro Grasso. Esse gabinete teria como função conduzir a reforma eleitoral. A seguir, haveria duas alternativas: permanecer no cargo até a próxima votação ou convocar a população a retornar às urnas antes. 

A segunda é a solução preferida pelos maiores partidos políticos do país, entre os quais o PD, o populista Movimento 5 Estrelas (M5S) e a legenda de extrema direita Liga Norte. Hoje, Renzi não quis comentar se planeja se candidatar. “Não cabe a mim decidir, mas aos partidos – todos os partidos – que precisam assumir suas responsabilidades”, afirmou.

O ponto central não é o que o premiê demissionário quer, mas o que o Parlamento propõe. Em tom de campanha, o ex-premiê ressaltou que seu partido obteve 41% dos votos nas últimas eleições europeias, em 2014, e outros 41% no referendo de domingo.

“Há milhões e milhões de italianos que desejam um outro modelo político”, alegou, colocando-se na posição de reformista. Renzi ressaltou que o momento é de entregar o cargo. “Estou pronto a entregar o sino a meu sucessor, com um abraço e um desejo de boa sorte no seu trabalho.”

Para analistas, o cenário é de indefinição. “Creio que Mattarella buscará uma via de estabilidade. O mais provável é que um novo primeiro-ministro seja nomeado, talvez Padoan”, disse Leonardo Morlino, da Universitá Luiss, de Roma.

 

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