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Senado italiano decide hoje sobre cassação de mandato de Berlusconi

Político italiano foi condenado por fraude fiscal pela Justiça; seu partido deixou coalizão do governo

O Estado de S. Paulo,

27 de novembro de 2013 | 11h20

O Senado italiano iniciou os debates sobre se cassa ou não o mandado de Silvio Berlusconi após sua condenação por fraude fiscal. Partidários do político, que foi três vezes primeiro-ministro, se reuniram em frente ao prédio da câmara alta italiana para uma manifestação política.

O ex-premiê é líder do Forza Italia, partido que perdeu força e agora faz parte da oposição ao governo do primeiro-ministro Enrico Letta.

O Supremo Tribunal italiano manteve, em 1º de agosto, a sentença de quatro anos de prisão para de Berlusconi por fraude fiscal. O Senado deve cassar seu mandado com base em uma lei de 2012 que proíbe qualquer pessoa sentenciada a mais de dois anos de prisão de manter ou concorrer a cargo público por seis anos.

Tendo em vista que o partido do ex-premiê tem minoria na câmara alta, a maior parte dos senadores deve votar a favor de sua cassação. Na semana passada, o presidente Giorgio Napolitano efetivamente selou o destino de Berlusconi quando, num comunicado escrito sem rodeios, recusou-se a conceder perdão ao magnata das comunicações.

Se perder o mandato, a expulsão de Berlusconi do Senado entrará em vigor imediatamente e será irreversível, segundo seus próprios advogados. O ex-primeiro-ministro disse que não estará presente durante a votação. Em vez disso, ele participará de uma manifestação em Roma para protestar contra o que descreve como uma "caça às bruxas" contra ele.

Berlusconi diz que os magistrados italianos, que o acusam de vários crimes, dentre eles fraude fiscal e de ter mantido relações sexuais com uma menor, são uma ferramenta da oposição de esquerda. Ele costuma descrever seus problemas judiciais como parte de um "golpe de Estado" que tem como objetivo eliminar o principal líder do bloco conservador italiano.

"Todos os que sabem o que está acontecendo e estão preocupados sairão hoje, não tanto para me defender, mas porque prezam o futuro do país e nossa liberdade", declarou Berlusconi na noite de terça-feira durante um talk show transmitido por um dos três canais de televisão dos quais é dono. "A manifestação...é apenas o começo."

A perda do mandato parlamentar representaria o mais recente retrocesso sofrido por ele neste ano. Em meados do mês seu partido se dividiu, em parte por causa de seus problemas com a Justiça, o que o deixou com um grupo parlamentar menor. A situação priva Berlusconi do papel de influência que ele tinha até recentemente na coalizão liderada por Letta. /AP

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