Senado paraguaio votará impeachment amanhã

O presidente paraguaio, Luis González Macchi, pode ser destituído amanhã, caso seus rivais políticos consigam convencer 30 dos 45 senadores a votar pelo afastamento do mandatário. Mas, de acordo com uma sondagem realizada pelo jornal de Assunção ABC Color, González Macchi ainda tinha, hoje, o apoio de 18 ou 19 senadores - número suficiente para evitar o impeachment.González Macchi é acusado de mau desempenho de suas funções e de atos de corrupção, incluindo o uso de um automóvel de luxo roubado no Brasil. A denúncia mais grave é a de que González teria desviado US$ 16 milhões do Banco Central do Paraguai para uma conta pessoal em uma agência do Citibank de Nova York.Em várias entrevistas concedidas hoje, González Macchi rejeitou qualquer possibilidade de renunciar antes da votação de amanhã no Senado, e se diz certo de que seu mandato não terminará antes do prazo constitucional, em agosto - quando deve tomar posse o eleito na votação presidencial de 23 de abril.González Macchi pertence ao Partido Colorado, que está no poder no Paraguai há cinco décadas. O partido, no entanto, se subdivide em várias facções lideradas por diversos caciques políticos - grande parte deles, contrários à ala fundada pelo vice-presidente assassinado Luis María Argaña, à qual pertence González Macchi.Caso os rivais do presidente reúnam os votos necessários para aprovar o impeachment, o presidente do Senado, Juan Carlos Galaverna, substituirá González Macchi. Galaverna, colorado da facção liderada pelo ex-presidente Juan Carlos Wasmosy, é um dos políticos que mais têm se empenhado em convencer os senadores a votar pelo afastamento de González Macchi.O presidente da Câmara alta do Legislativo revelou hoje que, no fim de semana, o chefe do governo desenvolveu intensas gestões para evitar seu afastamento do poder mas, mesmo assim, assegurou que "minha opinião pessoal é de que González Macchi será punido pelo Senado".Ao mesmo tempo, para afastar as acusações de que se encontra pessoalmente empenhado em derrubar o mandatário, Galaverna prometeu que irá convocar uma sessão extraordinária do Senado "para apresentar minha renúncia ao cargo de presidente do Congresso e pedir que se eleja um senador que, a critério do Legislativo, possa substituir González Macchi".

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