Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Senado põe proposta sobre armas em ‘limbo legislativo’

Republicanos adotam manobra para protelar voto sobre medida para impedir vendas a suspeitos de terrorismo

O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 18h49

WASHINGTON - O Senado dos EUA votou nesta quinta-feira por não engavetar a proposta de proibir a venda de armas para suspeitos de terrorismo, mas a colocou em um tipo de procedimento que tornará improvável sua adoção em breve.

A medida de compromisso, criada pela senadora republicana Susan Collins, foi incluída na proposta de lei apresentada após o ataque a tiros em Orlando como meio de obter apoio bipartidário no Congresso.

A proposta de lei, que enfrenta oposição republicana, impediria a venda de armas a todos que integram uma lista, elaborada pelo governo, que proíbe sua entrada em aviões ou impõe uma vistoria rigorosa antes de qualquer embarque.

Os líderes republicanos se manifestaram contrários à proposta argumentando que ela negaria os direitos de indivíduos que no final podem ser declarados inocentes. 

A solução para os republicanos, que não queriam ser acusados pelos democratas de serem contrários a qualquer medida para restringir a venda de armas, foi a adoção de uma manobra de procedimento anunciada pelo líder da maioria republicana, senador Mitch McConnell, que mantém a proposta viva, mas sem que ela consiga avançar – colocando-a numa espécie de ‘limbo legislativo’. 

Defensores da medida disseram que ainda têm uma esperança. “Ela não está totalmente morta”, disse a senadora democrata Heidi Heitkamp, que ajudou Collins a redigir a proposta e convencer os membros do seu partido. Mas, questionada sobre se o texto realmente poderá ser votada, Heitkamp mostrou-se relutante: “Bem, vamos ver”. 

Na Câmara dos Deputados, os democratas encerraram nesta quinta-feira o protesto de ocupação do plenário da Casa, mas prometeram renovar sua luta por maior controle de armas depois do massacre a tiros em Orlando, apesar da oposição dos republicanos.

Vários parlamentares democratas tomaram o plenário da Câmara por 16 horas, sentando nos corredores e provocando a suspensão dos trabalhos, para cobrar que os líderes republicanos na Casa permitissem a votação de uma legislação sobre armas, depois do ataque a tiros que matou 49 pessoas e feriu outras 53 numa casa noturna.

Os republicanos posteriormente retomaram o controle da Câmara, aprovaram diversas medidas não relacionadas a armas e anunciaram que não vai haver mais votações até o feriado nacional de 4 de julho. Mas o deputado democrata John Lewis, líder do movimento pelos direitos civis dos anos 60 que liderou o protesto no plenário, disse que a luta para aumentar o controle de armas vai continuar. / NYT e REUTERS

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