Senado questiona plano de Obama para o Afeganistão

A estratégia para o Afeganistão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciada na noite de terça-feira, foi duramente questionada por parlamentares durante audiência no Senado do secretário da Defesa, Robert Gates, da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do comandante militar, Mike Mullen. Os republicanos elogiaram a decisão de enviar 30 mil soldados - que devem desembarcar em duas ou três semanas -, mas criticaram a determinação de uma data limite de 18 meses para iniciar a retirada. No lado democrata, alguns demonstraram contrariedade com a mobilização e outros estão céticos com relação à cooperação do presidente afegão, Hamid Karzai, visto como corrupto.

AE, Agencia Estado

03 de dezembro de 2009 | 07h31

O senador republicano John McCain afirmou que não há lógica em enviar e ordenar a retirada rapidamente dos soldados, apesar de concordar com o envio de mais tropas. Em resposta, Gates disse que será feita uma "reavaliação em dezembro de 2010" para determinar se os soldados começarão a ser removidos a partir de 2011.

"Mas então não faz sentido anunciar uma data. Isso dá uma impressão errada para os nossos amigos e também para os nossos inimigos", retrucou o senador, considerado uma das principais vozes em política externa do Senado. Segundo McCain, o ideal é que as tropas iniciem a retirada quando as condições tiverem mudado definitivamente para melhor. Assim, elas podem retornar com honras.

Hillary, que seguirá para a Bélgica para convencer outros países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a enviar mais tropas, reagiu e disse que o objetivo de determinar uma data para a saída é "mostrar claramente que os EUA não estão interessados em ocupar o Afeganistão ou trabalhar na construção do país". O foco, de acordo com ela e Gates, é derrotar a Al-Qaeda e o Taleban.

Democratas

Mesmo dentro do partido do presidente há críticas. Para o senador democrata Carl Levin, tido como um especialista em questões militares, é arriscado enviar tantas tropas neste momento sem o número suficiente de forças de segurança no lado afegão para atuar como parceiros - um dos objetivos principais da estratégia de Obama será justamente treinar soldados e policiais do Afeganistão para que eles se tornem capazes de lidar com o Taleban no futuro.

Paul Kirk, também do Partido Democrata, disse que a estratégia falha ao depender de Karzai, acusado de fraudar as eleições presidenciais afegãs, além de "presidir uma cultura de corrupção e dependente do ópio". Hillary defendeu o presidente afegão em sua resposta. Gates acrescentou que os ministros da Defesa e do Interior do Afeganistão são "competentes e capazes" e existem muitos "governadores bons" em províncias do país. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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